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18 de novembro de 2019, 15h52

Golpe na Bolívia conta com milícia virtual de mais de 68 mil robôs

Um pesquisador espanhol ligado ao Unidas Podemos produziu vários vídeos que expõem a fraude virtual na Bolívia, que seria comandada por Luis Fernando Camacho

Camacho (ao centro) se ajoelha com a Bíblia após invadir o Palácio do Governo na Bolívia - Foto: Reprodução/Twitter

Um levantamento realizado por Julián Macías Tovar, responsável por comandar as redes do partido espanhol Unidas Podemos, mostra que mais de 68 mil contas robôs foram criadas para dar suporte nas redes ao golpe de Estado ocorrido na Bolívia contra o presidente Evo Morales. Esses perfis falsos servem para difundir informações mentirosas sobre o que ocorre no país e inflar as contas da autoproclamada presidenta Jeanine Añez e do líder opositor Luis Fernando Camacho.

“Analisando a interação no Twitter sobre o golpe de estado na Bolívia impulsionada por Luis Fernando Camacho, posso dizer que ele também está por trás do golpe fraudulento nas redes com a criação de mais de 60.000 contas falsas para influenciar e espalhar notícias falsas”, sentenciou Macías Tovar.

O espanhol destaca que essas contas servem para aumentar a repercussão de hashtags contra Evo Morales – como uma que diz que não há golpe na Bolívia – e dos próprios líderes opositores. “O mais surpreendente de tudo seja como, a partir de 10 de novembro, várias hashtags começam a ser usadas no Twitter de forma coordenada, com milhares de contas recém-criadas que servem para aumentar incrivelmente os retuítes e os seguidores do golpe e do presidente interino”, disse.

Em três vídeos, o pesquisador expõe a fraude de Camacho e Añez. O comandante do Comitê Cívico de Santa Cruz passou em poucos dias de 2 mil seguidores para 150 mil, sendo pelo menos 50 mil contas criadas nos últimos 15 dias. Já no caso da autoproclamada presidenta, a conta saltou de 8 mil para 150 mil, com pelo menos 41 mil perfis duvidosos. Fazendo o cruzamento desses seguidores, são 68 mil contas falsas.

“Se você se pergunta que atividade essas dezenas de milhares de contas falsas têm, além de seguir os dois conspiradores para que eles tenham mais seguidores e deem notoriedade, eles também fazem retuítes, comentários e interagem com outras postagens para colocá-las no topo”, finalizou.

Pablo Gentili, chefe de gabinete do Podemos e professor da UERJ, compartilhou a pesquisa e fez um paralelo com as eleições presidenciais de 2018. “Como já aconteceu no Brasil, as redes sociais podem colocar a democracia em xeque”, disse.

A denúncia do uso de robôs pelos golpistas já tem sido feita há bastante um tempo, mas não se tinha uma dimensão exata dessa atuação. A relação de Camacho com o governo Bolsonaro ainda não foi bem explicada, o que gera suspeitas de uma relação de apoio também no campo das milícias digitais.

Veja os vídeos:


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