Grupos aliados a Evo Morales chegam a La Paz e exigem renúncia do governo golpista

Dezenas de milhares de manifestantes ligados a entidades indígenas, mineiras e camponesas ocuparam a capital boliviana nesta quinta, para exigir a queda da autoproclamada presidenta Jeanine Áñez e todos os seus ministros

Uma multidão de mais de 100 mil pessoas ingressou na manhã desta quinta-feira (21) à cidade de La Paz, formada por membros de organizações indígenas, camponesas e de trabalhadores da mineração. Os manifestantes exigem a renúncia da senadora Jeanine Áñez, que se autoproclamou presidenta do país, dias depois que os militares consolidaram o golpe de Estado, forçando Evo Morales a renunciar.

O vídeo com a chegada dos manifestantes ingressando na capital boliviana foi difundido pelo diplomata venezuelano Samuel Moncada, representante do seu país na Organização das Nações Unidas (ONU).

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Através da sua conta de Twitter, o embaixador disse que “o povo da Bolívia entra na capital como um rio irrefreável, exigindo justiça, e dizendo: que renuncie! Sempre de pé nunca de joelhos! A banda fascista que assaltou o poder conta com a ponta de uma baioneta, o carniceiro Almagro e seus chefes em Washington”.

No caso, o Almagro citado é o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o diplomata uruguaio Luis Almagro, cuja postura desde o começo da crise no país tem sido a de apoiar as ações golpistas, favorecendo os questionamentos ao processo eleitoral do dia 20 de outubro, e até reconhecendo a autoproclamação de Jeanine Áñez, apesar de ter sido feita em uma cerimônia que não contou com o quórum necessário da Assembleia Nacional boliviana.

Repressão

Nestes 11 dias desde o golpe de Estado, legitimado pela OEA, o país tem observado manifestações diárias dos apoiadores de Evo Morales, e uma repressão brutal por parte das Forças Armadas e polícias bolivianas. O uso da violência contra os manifestantes já produziu ao menos 34 mortes, e como a imprensa local tem silenciado sobre esses casos, tem sido as organizações internacional de direitos humanos as responsáveis por denunciar essa situação.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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Renato Rovai
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