Herdeiro de império colonial, Príncipe William culpa africanos por extinção de espécies

Futuro monarca do Reino Unido, que dominou (e domina) terras em todo o planeta, acha que desaparecimento de animais na África é responsabilidade da população local

O príncipe William, do Reino Unido, neto da rainha Elizabeth II e segundo na linha de sucessão ao trono britânico, depois de seu pai, o príncipe Charles, disse durante um evento ambiental realizado na noite de terça-feira (23), o Tusk Conservation Awards, que a vida selvagem na África está ameaçada pelo crescimento populacional no continente.

“A pressão crescente sobre a vida selvagem e os espaços selvagens da África, como resultado da crescente população humana, representa um enorme desafio para os conservacionistas”, disse o duque de Cambridge, título conferido a ele, que se tornará príncipe de Gales quando seu pai ascender ao trono.

A afirmação do nobre herdeiro parece não considerar a ação das potências coloniais durante todos os últimos séculos, que ocuparam, devastaram e espoliaram todo o território africano. Sua dinastia e o estado que um dia chefiará foi, inclusive, o maior império colonial que a humanidade já conheceu, mantendo até hoje domínios territoriais em vários pontos da Terra.

Esta não foi a primeira vez que William resolveu tocar no assunto da explosão demográfica do continente africano, região que dobrará de população até 2050, quando deverá ter em torno de 2,5 bilhões de habitantes. Em 2017, ele criticou as famílias que tinham muitos filhos naqueles países e o fez enquanto sua esposa, Kate Middelton, espera o terceiro filho do casal, o que soou como uma vigorosa hipocrisia por parte do príncipe, duramente criticado até pela imprensa britânica à época.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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