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11 de janeiro de 2020, 10h31

Inflação dos alimentos assusta e pode aumentar com crise Irã x EUA

Preços que já vinham aumentando, podem ter uma disparada diante da irresponsabilidade política de Bolsonaro em não se manter neutro

Foto: Reprodução

A alta no preço da carne, de 32% ao longo do ano, foi a principal polêmica do governo de Jair Bolsonaro nos últimos meses de 2019.

Mas não foi só a carne. Outros produtos tradicionais do dia a dia tiveram um aumento ainda superior, como é o caso do feijão e do alho. Informações foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE.

O feijão carioca subiu 56%, enquanto o alho teve alta de 33,5%. Os jogos de azar, também típicos no dia a dia de muitos brasileiros, ficaram 40,36% mais caros.

Com a crise entre o Irã e os EUA, aberta em consequência do assassinato do líder militar iraniano, Qasem Soleimani, em Bagdá, no dia 3 de janeiro, o quadro se complica ainda mais. Na última quarta-feira (8), o preço do petróleo voltou a disparar, após o ataque da Guarda Revolucionária do Irã a bases militares dos EUA no Iraque.

Segundo o índice da West Texas Intermediate (usado como referência por grande parte dos países do Ocidente), o valor do barril de petróleo naquela manhã saltou para 65,54 dólares, um aumento de 4,53%. O fato levou o governo federal e a Petrobras a reverem suas políticas de preços dos combustíveis para não repassarem a alta nos custos às bombas de gasolina e diesel.

Analistas econômicos de diversas tendências políticas afirmam, no entanto, que, a depender dos rumos da crise, é quase impossível que o preço dos combustíveis não aumente no Brasil. Como consequência direta, também é muito provável que a alta de preços de alimentos de maneira geral se acentue.

Mercados emergentes, como o brasileiro, tendem a ter fuga de investidores em momentos de crise como esta. Isto tudo sem contar que a perigosa posição de Bolsonaro diante do conflito, se posicionando imediatamente ao lado de Donald Trump, pode trazer sanções por parte do Irã, o que traria impactos em vários setores, inclusive no agronegócio. O Irã é o segundo maior comprador de milho e o quarto de carne brasileiros — itens que garantem rentabilidade e estabilidade aos produtores.

De acordo com estimativa de Romana Dovganyuk, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Irã, o Brasil corre o risco de perder cerca de US$ 1 bilhão em exportações para o Irã este ano, por ter apoiado publicamente os Estados Unidos.

Segundo ela, com o aumento das encomendas de produtos como milho, soja, carne bovina, café e outras commodities agrícolas, a balança comercial brasileira registraria um superávit recorde acima de US$ 3 bilhões em 2020. Isso significa que, ao contrário do que disse na semana passada o presidente Jair Bolsonaro, que iria manter o comércio com o Irã, haverá perdas econômico-comerciais por motivos políticos.

“Vamos perder mercado por causa de uma decisão política. Se o lado americano é mais confortável, o governo brasileiro deveria ser neutro nessa questão, e não tomar partido”, afirmou Romana ao GLOBO.

Veja abaixo comentário do editor da Fórum, Renato Rovai, sobre o assunto, no Fala, Rovai:


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