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10 de janeiro de 2020, 13h22

Investigação na Espanha revela suborno pago à Arábia Saudita por venda de armas

Procuradoria Anticorrupção do país ibérico descobriu que a antiga empresa estatal de exportação de armas Defex desviou mais de 100 milhões de euros em fundos públicos através de negociações de venda de armas para a Arábia Saudita

O promotor espanhol Conrado Saiz apresentou nesta sexta-feira (10) uma denúncia sobre um esquema de corrupção estatal que envolve 11 contratos de compra e venda de armamentos com a Arábia Saudita.

Segundo a investigação de Saiz, a (já fechada) empresa estatal Defex, que se dedicava a administrar o arsenal militar espanhol, pagou subornos a autoridades sauditas entre os anos de 2005 e 2014, em troca de contratos para compra de armas ao país do Oriente Médio. Um dos receptores da propina, segundo a denúncia, seria o ex-agregado militar saudita, Abdulá al-Shamuary, que atuou na embaixada do seu país na Espanha justamente entre os anos apontados pela investigação.

Além disso, a denúncia afirma que os envolvidos criaram uma rede de corrupção que utilizava várias empresas de fachada, que emitiam recibos falsos para receber pagamentos da Defex, em troca de supostos serviços de consultoria.

Além de al-Shamuary, o promotor Saiz também denunciou quatro ex-diretores da Defex, e outras 4 pessoas jurídicas e seus responsáveis. Para as pessoas físicas, foi pedida pena de 29 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, desvio de dinheiro público, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e fuga de capitais. No caso das pessoas jurídicas, além da prisão dos seus respectivos responsáveis, foi solicitada a aplicação de multas que poderiam chegar a até 45 milhões de euros.

A empresa Defex deixou de existir em 2017, após a descoberta de outro escândalo de propina envolvendo contratos militares assinados durante a gestão do então presidente, o conservador Mariano Rajoy. As investigações realizadas por Saiz, iniciadas em 2008, continuarão, e segundo a imprensa espanhola, poderiam envolver negociações de compra e venda de armas com outros países, como Brasil, Angola, Egito e Camarões.


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