quarta-feira, 23 set 2020
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Israel planeja leiloar estrutura de escolas doadas que demoliu na Cisjordânia

O governo israelense planeja nos próximos dias leiloar as estruturas de duas escolas que foram doadas pela UE (União Europeia) aos palestinos e que foram demolidas pelas forças de ocupação da Cisjordânia.

A Administração Civil do Ministério da Defesa de Israel, órgão que administra a ocupação irregular israelense, derrubou e confiscou as salas de aula em outubro do ano passado. Elas eram destinados a 49 estudantes, do primeiro ao sexto ano, em Ibziq, no norte do território palestino. As escolas teriam sido demolidas por não terem autorização israelense.

Após a demolição, a missão da UE em Jerusalém e Ramallah condenou as autoridades israelenses e pediu que construíssem as estruturas no mesmo lugar “sem demora”. “Toda criança tem o direito de acessar a educação e os Estados devem proteger, respeitar e aplicar este direito. As escolas são espaços seguros e invioláveis para as crianças”, disse a entidade, à época, em comunicado oficial.

Fontes da cooperação europeia em Jerusalém descobriram que os números dos arquivos de confisco dos bens, que aparecem em notificações do Ministério da Defesa entregues aos vizinhos de Ibziq, correspondem aos algarismos que aparecem nos lotes que vão sair para leilão. Já um anúncio publicado no jornal israelense Maariv dizia que a venda aconteceria nos escritórios da Administração Civil na Cisjordânia. Uma lista de itens obtida pela jornal britânico The Guardian mostrava datas, números de itens, locais e descrições que combinavam com as estruturas da sala de aula confiscada. A venda também pareceu incluir material confiscado de palestinos e colonos israelenses que construíram sem autorização.

Sarit Michaeli, pesquisadora da B’Tselem, ONG israelense que reporta violações de direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, considera que o caso das salas de aula de Ibziq não é o único em que Israel leiloou artigos confiscados que haviam sido doados pela cooperação internacional. “Mas é o primeiro caso documentado”, enfatiza. “A ordem de demolição indicou que a escola estava em uma área arqueológica sem permissão para construir”, diz Michaeli, “embora seja apenas um pretexto para impedir que os palestinos construam nas áreas controladas por Israel enquanto continuam a se expandir. os assentamentos”, complementa.

Os palestinos têm autonomia limitada em partes da Cisjordânia, principalmente em áreas urbanas, e Israel mantém o controle total da maior parte do território e destrói casas e prédios que foram construídos sem permissão. Mais de 400.000 israelenses já se mudaram para a Cisjordânia, construindo assentamentos em terras confiscadas de palestinos, ações que são constantemente condenadas pela ONU, que é ignorada por Israel. Intensificando a questão, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, prometeu anexar esses assentamentos.

Com informações dos jornais The Guardian e El País

Gustavo Basso
Gustavo Basso
Atua como repórter e fotógrafo desde 2011, tendo escrito para diferentes veículos do Brasil e do exterior. Participou de coberturas como as jornadas de junho de 2013, o rompimento das barragens de Fundão e Brumadinho e crise migratória entre Venezuela e Colômbia