segunda-feira, 26 out 2020
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Jornal de Israel publica artigo onde chama Bolsonaro de “Hitler em Brasília”

Notas internacionais (por Ana Prestes) 26/10/18   

 

– O segundo maior jornal de Israel, Haaretz, publicou nesta quinta-feira (25) um artigo bastante crítico a Bolsonaro. O texto é do jornalista norte-americano Alexander Reid Ross e leva o título: “Hitler em Brasília – Os evangélicos dos EUA e a teoria política nazista que estão por trás do candidato à Presidência do Brasil”.

– Um dos mais respeitados diplomatas do Brasil, Rubens Ricupero, que também foi ministro da Fazenda e do Meio Ambiente afirmou nesta quinta-feira (25) que jamais votou no PT, mas dessa vez declara que votará em Fernando Haddad, pois para ele as propostas de Bolsonaro podem “deixar o Brasil mais pobre, isolado e desprezado” em relação à comunidade internacional. Para ele um dos retrocessos principais pode se dar com relação à política ambiental.

– Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (25), Bolsonaro mudou o tom quanto à sua proposta de retirada do Brasil do Acordo de Paris e disse que manterá o país no acordo, desde que se preserve a soberania plena da Amazônia. Se referindo ao acordo, o candidato disse: “Você poderia buscar essas metas (do acordo) não estando em acordo nenhum. Por outro lado, o que está faltando a todos vocês (jornalistas) é buscar a verdade. O que realmente está por baixo desse acordo. O que eu sei, é que o triplo A (Andes, oceano Atlântico e Amazônia) está em jogo”.

– Imprensa internacional repercutiu no dia de nesta quinta-feira a onda de invasões e detenções da polícia brasileira, civil e federal, em universidades públicas onde se realizavam eventos contra o fascismo difundido no processo eleitoral através da candidatura de Jair Bolsonaro. Algumas das universidades invadidas foram a UFSJ (MG), UFF (RJ), UFCG (PB) e UFGD (MS).

– Imprensa internacional noticia nesta sexta-feira (26) que o Pentágono se prepara para enviar centenas de soldados à fronteira com o México diante do avanço da caravana de imigrantes da América Central. No dia de ontem (25), Trump twittou: “estou trazendo os militares para esta Emergência Nacional. (Os imigrantes) serão parados!”

– Mais dois pacotes bomba foram encontrados nos EUA, um estava direcionado ao local onde funciona um restaurante e uma companhia de produção de cinema e TV, pertencentes ao ator Robert De Niro, forte crítico de Trump, e outro estava em um posto dos correios endereçado ao ex-presidente Joe Biden.

– Palavras do vice-ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, a respeito do rompimento unilateral dos EUA do tratado de mísseis de médio alcance: “se os norte-americanos continuarem a agir de modo tão grosseiro e brutal, como já vimos em várias situações, se eles continuarem a sair de tratados, diferentes acordos e mecanismos unilateralmente (…) não nos restará nada mais que empreender medidas de resposta, inclusive de caráter técnico militar. Mas não queríamos chegar a esse ponto”.

– O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe desembarcou ontem (25) na China para sua primeira visita ao país em sete anos. As relações entre os dois países estavam estremecidas desde 2012 quando o Japão “nacionalizou” ilhas disputadas com a China.

– Promotores sauditas anunciaram nova versão sobre a morte do jornalista Jamal Kashoggi. Anteriormente a conclusão era sobre uma morte como resultado de uma briga no local. Mas agora concluíram, segundo anúncio do advogado-geral da União da Arábia Saudita, Saud al Mojeb, que a morte foi premeditada. O corpo do jornalista ainda não foi encontrado.

– O plenário do Parlamento Europeu aprovou um pedido de embargo sobre a venda de armas para a Arábia Saudita.

– O chanceler cubano, Bruno Rodriguez, denunciou esta semana uma nova manobra política contra Cuba. Todos os anos Cuba apresenta um projeto de resolução à ONU contra o bloqueio econômico. Este ano a missão permanente dos EUA na ONU apresentou um conjunto de 8 emendas à resolução. Além das emendas, foi distribuído um documento clandestino do departamento de Estado dos EUA buscando dissuadir os países membros da ONU de votarem com Cuba no próximo dia 31 de outubro na Assembleia Geral. Tradicionalmente a votação é majoritariamente pró-cubana. Ao fazer a denúncia, Bruno ainda lembrou que os EUA, apesar de acusarem Cuba de não ter compromisso com os Direitos Humanos, assinaram apenas 18 dos 61 acordos existentes no âmbito das nações unidas.

– Um estudo da CEPAL sobre cenário econômico de 2017, documentado no relatório “O Investimento Estrangeiro Direto na América Latina e no Caribe 2018” revela que o investimento direto na região registrou queda de 3,6% frente a 2016 e de 20% se comparado a 2011. A diminuição se concentrou no Brasil (9,7%), no Chile (48,1%) e no México (4,0%). Já a Argentina teve investimento aumentado em torno de 250% (12 bilhões de dólares). Na América Central também houve cenário positivo, especialmente no Panamá com entrada de 6 bilhões de dólares.

– O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy deve ir a julgamento por ter superado o limite máximo de gastos eleitorais na campanha presidencial de 2012. O ex-presidente havia feito um recurso para evitar o julgamento, mas um tribunal francês rejeitou.

– Em Honduras, familiares de Berta Cáceres e organizações sociais denunciam como farsesco o julgamento do tribunal formado em 31 de agosto que se recusa a ouvir os familiares de Berta e também a Gustavo Castro, que sofreu tentativa de assassinato quando Berta foi morta. Os advogados particulares das vítimas também foram excluídos do processo. Existem provas contundentes de participação da empresa DESA e de militares no assassinato de Berta.

 

Ana Prestes
Ana Prestes
Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.