O que o brasileiro pensa?
25 de junho de 2020, 15h26

Jornalista acredita que acordo de 10 US$ bi sobre herbicida que provoca câncer favorece Bayer

Stéphane Foucart acha que o maior problema da empresa são as denúncias de que seus executivos tinham dúvidas sobre o uso do glifosato, agrotóxico liberado por Bolsonaro no Brasil

Foto: Divulgação

Na avaliação do jornalista francês Stéphane Foucart, do jornal Le Monde, o acordo de US$ 10 bilhões feito pela Bayer na Justiça, nesta quarta-feira (24), foi bom para a empresa. O resultado foi uma espécie de compensação a cidadãos norte-americanos, que alegam ter desenvolvido câncer depois de exposição ao glifosato, substância ativa do herbicida Roundup.

Em março de 2019, Jair Bolsonaro liberou o uso do glifosato no Brasil, substância associada ao desenvolvimento de câncer e ligada a processos bilionários nos Estados Unidos. 

No mesmo ano, a Bayer comprou a rival Monsanto, fabricante do Roundup, por US$ 63 bilhões.

Ao lado de Stéphane Horel, Foucart é coautor da série de reportagens publicadas na França sob o título “Os Monsanto Papers”. Durante entrevista à rádio France Info, nesta quinta-feira (25), ele disse que observa o acordo bilionário como “uma confissão de que a Bayer não venceria a disputa judicial nos Estados Unidos”.

A Bayer, empresa química alemã, terá de pagar quase US$ 10 bilhões para evitar condenações. “Para os acionistas, é uma maneira de garantir o futuro”, diz Foucart.

O valor pode parecer astronômico, mas as perspectivas do negócio permanecem boas, e os investidores estão voltando, de acordo com o jornalista francês. “O preço das ações da Bayer tem aumentado ultimamente”, ressalta.

Problema principal

Foucart acredita que a gigante química alemã não tinha outra alternativa. “A Bayer já perdeu três processos em primeira instância. A direção entrou com recursos contra essas decisões, mas enfrenta dificuldades em defender o produto Roundup em juízo. Hoje, o principal problema da Bayer é o ‘Monsanto Papers’. Centenas, milhares de correspondências internas da Monsanto mostram que os executivos e toxicologistas da empresa tiveram mais de duas décadas de fortes dúvidas sobre a segurança do uso de agrotóxicos à base do glifosato. É muito complicado defender seu produto em juízo quando você mesmo expressou dúvidas em sua correspondência interna”, acrescenta o jornalista.

Com informações da Rfi


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum