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01 de fevereiro de 2020, 06h07

Lenín Moreno diz que homens estão sob “perigo de serem acusados de assédio”

O presidente do Equador foi alvo de críticas pela declaração considerada misógina

Foto: Fredy Cosntante/Presidência do Equador

O presidente do Equador, Lenín Moreno, deu uma declaração polêmica na tarde desta sexta-feira (31) durante reunião com empresários – em maioria homens. O mandatário relativizou as denúncias de assédio sexual e disse que as mulheres apenas reclamam quando o abusador é feio. Moreno foi bastante criticado nas redes sociais.

“Os homens estamos permanentemente sujeitos ao perigo de sermos acusados de assédio”, declarou. “Vejo que as mulheres frequentemente denunciam assédio e é bom que o façam. Mas às vezes vejo que eles ficam com raiva daquelas pessoas feias”, continuou.

Moreno não parou por aí e seguiu teorizando sobre sua visão sobre o assédio. “Ou seja, o assédio ocorre quando vem de uma pessoa feia. Se a pessoa é bem apresentada de acordo com os padrões, geralmente não se pensa necessariamente que se trata de um assédio”, disse. “No meu caso, pela idade, não seria assédio, mas ‘acaso sexual'”, ironizou, sendo aplaudido por alguns presentes.

O deboche sobre questões de gênero prosseguiu e o presidente do Equador decidiu ironizar a vice-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner. Segundo ele, um especialista lhe contou que não existia o termo “presidenta” em espanhol e que a flexão de gênero na palavra é “obra de desocupados”. A fala de Moreno contradiz, no entanto, com o entendimento da Real Academia Espanhola, que entende que “em referência a uma mulher, a opção mais apropriada hoje é usar o formulário ‘presidenta’, feminino documentado em espanhol desde século XV e presente no dicionário acadêmico desde 1803”.

Reações

A fala do presidente gerou muitas críticas. “De acordo com Lenin Moreno, as mulheres só denunciam assédio quando o sujeito é ‘feio’. Agora faz sentido porque eles cortaram 876 mil dólares para a PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO: nossas vidas para essa multidão são inúteis”, disse a ativista feminista Blanca López.

“O Presidente Moreno deve oferecer um pedido de desculpas público às milhares de mulheres vítimas de violência, aos filhos daqueles que foram assassinados por seus parceiros, àqueles que ousaram falar, a um país que tem a obrigação de combater esse tipo de violência”, declarou a jornalista Mariasol Borja.

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