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10 de janeiro de 2020, 12h10

Mais dois casos de lawfare contra Cristina Kirchner são desmascarados na Argentina

Em ambos os casos, está evidente o interesse político de Mauricio Macri e seus correligionários em condicionar a ex-presidenta. Um deles desmorona por falta de provas. O segundo foi abalado por um novo testemunho, afirmando que um operador macrista induziu seu primeiro depoimento

Cristina Kirchner (Foto: Reprodução/Twitter)

Após terminar seu segundo mandato presidencial, em dezembro de 2015, a ex-presidenta argentina Cristina Kirchner passou a ser alvo frequente da Justiça, e chegou a ter nove processos contra si – oito deles nas mãos do mesmo juiz, Claudio Bonadio, espécie de Sérgio Moro do país vizinho, mas sem ministério.

Durante quatro anos, ela acusou a Justiça de atuar contra ela para agradar o seu sucessor – o empresário neoliberal Mauricio Macri –, com operações de lawfare. O tempo passou e desde que ela lançou a candidatura presidencial junto com Alberto Fernández, com a qual se tornaram favoritos para voltar à Casa Rosada, o Poder Judiciário começou a ser mais rigoroso com a verdade nos processos que a envolvem e nesta semana trouxe duas novidades mais nesse sentido.

Uma delas é o chamado Caso do Gás Líquido, denunciada pelo partido de Macri (PRO, Proposta Republicana), que acusou Cristina de superfaturar os subsídios ao gás a partir de 2008, em um suposto esquema que teria movimentado cerca de 6,9 bilhões de dólares.

Em algum momento, o caso chegou a ter 25 réus, incluindo a ex-presidenta e várias figuras que passaram pelos seus governos. Porém, desde o ano passado, quando se descobriu que um dos advogados que trabalhava no caso junto com a acusação (Marcelo D´Alessio) está envolvido em crimes de extorsão e espionagem, o caso começou a desmoronar.

Além disso, descobriu-se que as perícias entregues pela acusação para envolver Cristina no caso foram forjadas. Bonadio tentou manobrar para manter o caso aberto e não perder sua ré mais importante, ao afastar D´Alessio e o perito David Cohen do processo, mas manteve toda a narrativa que eles construíram sobre o suposto crime.

Em dezembro de 2019, o Tribunal Oral Federal (TOF) da Argentina ordenou a liberação de Julio de Vido, que foi ministro de Energia durante o governo de Kirchner e era o único preso pela causa até agora – Cristina estava condenada, mas não foi levada à prisão porque conta com imunidade como senadora, e agora como vice-presidenta de Alberto Fernández, e agora sua condenação também foi suspensa.

O TOF considerou que Bonadio jamais conseguiu provar o superfaturamento do gás entre os anos de 2008 e 2011, conforme a acusação dos macristas. Atualmente, a causa segue vigente, mas envolve apenas 5 réus, entre os quais não está Cristina Kirchner, e se refere a um suposto esquema de fraude em licitações, por um total de 124 milhões de dólares.

A outra novidade tem a ver com o caso que investiga a morte do promotor Alberto Nisman, aquele que acusou Kirchner de fazer um acordo com o Irã para garantir impunidade aos supostos autores do atentado terrorista contra a sede da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), em 1994.

Nisman apareceu morto no banheiro de um hotel em Buenos Aires, em janeiro de 2015, e embora as perícias indiquem que se tratou de um suicídio, figuras ligadas ao governo de Macri tentam insistir com a tese de que foi assassinado, sempre aludindo a um suposto interesse da então presidenta em eliminá-lo.

Nesta semana, o ex-espião da SIDE, Allan Bogado, deu nova declaração oficial, dizendo que foi “instruído por funcionários do governo de Macri a envolver Cristina no caso”. Segundo o ex-agente, “eles estavam decididos a fortalecer o relato de que Cristina fez o acordo com o Irã para oferecer impunidade aos iranianos em troca de acordos comerciais com o país”. Essa versão é crucial para a tese de que a ex-presidenta tinha interesse na morte de Nisman.

O novo depoimento de Bogado menciona Fernando de Andreis, que foi secretário-geral da Presidência durante a gestão de Macri, como a pessoa que se reuniu com seu advogado para receber o script e as instruções sobre o que ele deveria falar em seu depoimento. Também disse que seu advogado foi bem claro quando o encontrou após a reunião com Andreis: “ou você fala (o que eles querem) ou vai preso”.

O Caso Nisman está retratado também na série-documentário “Nisman: O Promotor, a Presidenta e o Espião”, que está disponível no serviço de streaming Netflix.

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