MAS anuncia retorno de Evo Morales à Bolívia na véspera do aniversário do golpe de 2019

Ex-presidente chegará ao país natal no dia 9 de novembro, um dia depois da posse de Luis Arce e um dia antes da data que, no ano passado, marcou sua derrubada do poder, por ação das Forças Armadas, aliadas a grupos racistas

Desde a vitória de Luis Arce, nas eleições presidenciais do dia 18 de outubro, as especulações sobre quando aconteceria o retorno ao país do ex-presidente Evo Morales passaram a ser frequentes na imprensa boliviana.

Mas nesta terça-feira (27), a notícia deixou de ser apenas um rumor: Evo Morales pisará solo boliviano novamente no dia 9 de novembro. A informação foi revelada pelo líder sindical Andrónico Rodríguez, que recentemente foi eleito senador pelo MAS (Movimento Ao Socialismo), mesmo partido de Arce e de Morales.

O retorno de Evo Morales à Bolívia acontece em uma data duplamente especial. No dia anterior, 8 de novembro, acontece a cerimônia pela qual Luis Arce será empossado como presidente do país, terminando com a ditadura de Jeanine Áñez, imposta no poder pelas Forças Armadas no dia 12 de novembro de 2019.

Outro dado curioso é que Morales retorna na véspera do dia em marcou o golpe de Estado sofrido por ele no ano passado, e que terminou com seus quase 14 anos de mandato. Após ser derrubado, o ex-presidente foi obrigado a deixar o país: passou um mês no México e depois viajou à Argentina, onde recebeu asilo político do presidente Alberto Fernández. Durante a ditadura de Áñez, Evo Morales foi alvo de várias denúncias na justiça, uma delas sobre suposto “terrorismo”. Grande parte desses processos – incluindo esse de suposto “terrorismo” – foi arquivada dias depois da vitória de Arce nas urnas, no primeiro turno, mas já serviram para impedir sua candidatura ao Senado, que acabou sendo substituída justamente pela de Andrónico Rodríguez, jovem líder indígena que foi eleito pela primeira vez à Câmara Alta.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).