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24 de setembro de 2019, 16h25

Mídia mundial corrige informações e trata com irrelevância discurso de Bolsonaro na ONU

A retórica firme reforçou no exterior a visão de que Jair Bolsonaro é um "mini-Trump"; "Arrogância com digressões confusas", avaliou o Le Monde. Confira a repercussão internacional

Foto: Reprodução/YouTube

O presidente Jair Bolsonaro subiu ao púlpito da Assembleia Geral da ONU com um estigma de ser um “mini-Trump”. A retórica fortemente ideologizada e as informações incorretas reafirmaram a tese para a imprensa internacional, que minimizou o discurso do brasileiro, tão aguardado por conta da críticas que tem recebido no exterior devido a sua política ambiental considerada complacente com as queimadas e o desmatamento na Amazônia.

O francês Le Monde traduziu o discurso de Bolsonaro como “iliberal” e caracterizou a fala como uma “mistura de arrogância com digressões confusas”. O jornal ainda destacou a réplica do brasileiro sobre a Amazônia, a crítica feita à imprensa e o ataque direto a lideranças indígenas, em especial, ao cacique Raoni. O periódico também comentou sobre as críticas que Bolsonaro fez ao presidente Emmanuel Macron, sem citá-lo.

A agência RFI, também francesa, deu destaque para a fala do presidente de extrema-direita sobre a Amazônia, no ponto em que disse que seria “uma falácia dizer que Amazônia é patrimônio da humanidade”. A agência pontua que Bolsonaro usou seu tempo para atacar “o socialismo, Cuba, Venezuela, a imprensa, o ambientalismo radical”, além de defender sua política ambiental, o ministro da Justiça Sérgio Moro e a criação de uma nova política indigenista.

“Bolsonaro elaborou um elo entre ‘ameaça do socialismo, corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade, ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições”, diz a RFI.

O jornal português Público demonstrou certa decepção com a fala do presidente. “Havia muitas expectativas sobre o que diria Jair Bolsonaro no seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, que abriu nesta terça-feira em Nova Iorque. Mas ele foi igual a si próprio”, contou o periódico.

Mini-Trump

Na Alemanha, citada ao lado da França no discurso do presidente brasileiro, a fala de Bolsonaro não teve grande repercussão. No Süddeutsche Zeitung, um dos principais do país, Bolsonaro foi citado dentro de matéria que comentava sobre a participação de Donald Trump na ONU. “Na Assembléia Geral da ONU, Donald Trump falou diretamente com Jair Bolsonaro – e elogia o patriotismo. É impressionante como os dois soam parecido”, disse o alemão.

No Reino Unido, a participação de Jair Bolsonaro também teve pouco impacto. Assim como no Zeitung, no The Guardian, o brasileiro foi citado em um comentário sobre Trump. O veículo disse que Bolsonaro promoveu “ataques trumpianos” ao falar sobre “incêndios em andamento na Amazônia, que ele descreveu falsamente como uma região ‘praticamente intocada'”.

 


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