Entrevista exclusiva com Lula
22 de novembro de 2019, 17h02

Moradores denunciam uso de shopping da periferia de Santiago como centro de tortura

Local está fechado desde outubro, quando começaram os protestos no Chile, e estava sendo resguardado pelos Carabineros (polícia militarizada). Após a denúncia, o local foi alvo de incêndio, o que aumentou as suspeitas sobre o caso

Foto: Gonzalo Espinoza/Desconcierto

Do Chile, especial para a Fórum

Moradores da comuna de Quilicura, região da periferia de Santiago (Zona Oeste da cidade) denunciaram nesta semana que o Shopping Arauco Quilicura esconde um centro de torturas, que estaria sendo usado pelos Carabineros (polícia militarizada chilena) há algumas semanas.

O local comercial se encontra fechado desde os primeiros dias da explosão social no país (iniciada em 18 de outubro) e desde então tem recebido resguardado pelos Carabineros 24 horas por dia. Alguns moradores asseguram que possuem fotos e vídeos de pessoas que foram presas em manifestações realizadas na região e levadas ao shopping, o que já configuraria uma detenção ilegal. Também asseguram haver provas de torturas realizadas a esses detentos.

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Em uma matéria do veículo chileno El Desconcierto, um trabalhador identificado com as iniciais C.T. relatou que “estava com minha esposa me manifestando na praça central de Quilicura, quando um policial com roupa civil me agarrou e me carregou para dentro do shopping. Fui levado à praça de alimentação e dali a um quarto dentro de um dos restaurantes. Lá um grupo de policiais civis me torturaram com golpes na cabeça e nas costas. Tenho o corpo todo marcado e umas costelas fraturadas, além do polegar da mão direita desencaixado”.

Menores

Este testemunho e todas as demais provas foram entregues ao Ministério Público chileno pela Defensoria da Infância, pelo fato de que boa parte das vítimas seriam estudantes menores de idade.

Por sua parte, os Carabineros e também a Polícia de Investigações (similar à Polícia Civil brasileira) enviaram um comunicado assegurando que “não existem registros de atuação policial no local indicado”, o que pode ser desmentido pela presença de Carabineros diariamente do lado de fora do shopping.

Outro fato curioso é que horas depois de oficializada a denúncia, houve um incêndio dentro do shopping, que estava desativado e resguardado por policiais. Essa situação levantou suspeitas dos denunciantes, e o temor de que o fogo tenha sido realizado por pessoas que tentavam eliminar provas.


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