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16 de novembro de 2019, 07h28

Mortos em massacre da ditadura boliviana são levados aos gritos de Justiça; outros 34 estão feridos e centenas presos

Omar Calle, César Sipe, Juan López, Emilio Colque e Lucas Sánchez foram mortos pela polícia boliviana na tarde desta sexta-feira (15). "Como hoje, em 1781, o irmão Tupac Katari foi executado pelo jugo espanhol. Agora, os líderes do golpe matam indígenas e humildes por pedir democracia", tuitou Evo Morales

Corpos de mortos em massacre na Bolívia são levados pelas ruas de Sacaba (APG)

Os corpos de Omar Calle, César Sipe, Juan López, Emilio Colque e Lucas Sánchez, que foram mortos nesta sexta-feira (15) em um massacre promovido por militares controlados pela ditadura boliviana foram levados em caixões até as imediações da ponte Huayllani, no caminho para Cochabamba, onde foram assassinados, por uma multidão que pedia por Justiça.

Outras 34 pessoas ficaram feridas e mais de cem foram presas, segundo o líder do povo de Cochabamba, Nelson Cox, com confirmação posterior pelo ministério da Presidência da Bolívia.

O confronto ocorreu quando forças leais a Evo Morales se concentraram na cidade de Sacaba, capital da província de Chapare, e iniciaram uma marcha em direção à cidade de Cochabamba, que fica a cerca de 13 quilômetros de distância, e depois seguiriam rumo a La Paz.

No caminho, próximo a ponte Hyayllani, na tarde desta sexta-feira, policiais de Cochabamba, que dão apoio ao golpe, fizeram um cerco e reprimiram com violência os manifestantes.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou em comunicado o “uso desproporcional da força policial e militar”, confirmando os cinco mortos e apontando que havia um número indeterminado de feridos. A CIDH acrescentou que “as armas de fogo devem ser excluídas dos dispositivos utilizados para controlar os protestos sociais”.

No Twitter, o ex-presidente Evo Morales, que está asilado no México, pediu “às Forças Armadas e à polícia que pare o massacre”. “O uniforme das instituições da pátria não podem ser manchadas com o sangue do nosso povo”, escreveu na rede social.

Morales ainda denunciou a ditadura de Carlos Mesa, derrotado nas eleições presidenciais, e Luis Fernando Camacho, líder golpista de Santa Cruz.

“Para justificar o golpe, Mesa e Camacho nos acusaram de “ditadura”. Agora, seu auto-nomeado “presidente” e seu gabinete de advogados de defesa de estupradores e repressores massacram o povo com as Forças Armadas e a Polícia como a verdadeira ditadura. #NoAlGolpeDeEstadoEnBolivia”, tuitou Evo.

O presidente boliviano ainda lembrou que o massacre ocorre no mesmo dia da execução do líder indígena Tupac Katari, morto em 1781.

“Como hoje, em 1781, o irmão Tupac Katari foi executado pelo jugo espanhol. Depois de ser traído por lutar pela libertação de nosso povo, ele foi preso e condenado a morrer desmembrado. Agora, os líderes do golpe matam indígenas e humildes por pedir democracia”.

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