Motim policial impulsa nova tentativa de golpe de Estado na Bolívia

Policiais de diferentes cidades se declararam em rebeldia, inicialmente pedindo aumento de salário. Grupos políticos opositores tentam se aproveitar para pedir a renúncia do presidente Evo Morales, que reagiu convocando apoiadores para manifestação em “defesa pacífica da democracia

A Bolívia despertou neste sábado (9) com a notícia de que algumas das principais cidades do país vivem uma situação de motim policial em reivindicação de melhores salários e mudanças institucionais profundas.

Embora pareça um conflito trabalhista, e que o governo de Evo Morales esteja mostrando disposição ao diálogo, o fato é que alguns grupos políticos opositores estão tentando se aproveitar da situação para promover atos baseados em um pedido de renúncia do presidente.

Os motins policiais se reproduziram durante a semana em diferentes cidades do país, começando por Sucre e Santa Cruz de la Sierra, e logo se alastrando a lugares como Cochabamba, Oruro e finalmente La Paz, onde os policiais se declararam em rebeldia durante a noite de sexta-feira (8).

Na manhã deste sábado, o presidente Evo Morales publicou uma série de mensagens em sua conta de Twitter, dizer que “nossa democracia está em risco pelo golpe de Estado promovido por grupos violentos, que atentam contra a ordem constitucional. Denunciamos à comunidade internacional este atentado contra o Estado de direito”.

Em seguida, o mandatário apelou a uma resistência popular contra a tentativa de derrubá-lo: “convoco o nosso povo a cuidar pacificamente da democracia e da Constituição, para preservar a paz e a vida como bens supremos, acima de qualquer interesse político”.

O líder político Luis Fernando Camacho, do grupo de direita Comitê Cívico e principal defensor do movimento pela renúncia de Evo Morales, reagiu aos acontecimentos recentes dizendo que chorou de emoção ao saber do motim policial em várias cidades do país: “chorei de emoção! Nossa polícia é grande! Confirmado o amotinamento em Potosí, Santa Cruz, Tarija, Sucre e Cochabamba. Obrigado por estar ao lado do povo! Deus os abençoe!”.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).