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24 de fevereiro de 2019, 23h29

“Não queremos que Cuba seja apêndice de Miami”, diz jornalista cubano sobre reforma constitucional

Segundo Iroel Sánchez, a nova constituição do país busca manter "os direitos e o que a revolução de Fidel e Raúl conquistou para a maioria dos cubanos"

(Foto: Venceremos/Cuba Debate)

Neste domingo (24), milhões de cubanos estiveram em um dos 25 mil colégios eleitorais em toda a ilha, das 7h às 18h para referendar a nova constituição do país. Até às 14h, já tinham comparecido às urnas 6,7 milhões de pessoas (6.772.619), o que representava 74,09% do total de eleitores (8,6 milhões). Vale lembrar que o voto em Cuba é facultativo.

“Em Cuba não há possibilidade de fraude eleitoral. As pessoas acreditam em suas instituições políticas e acreditam que elas são necessárias para defender o futuro dos cubanos e a independência do país”, diz o jornalista cubano Iroel Sánchez, que mantém o blog La Pupila Insomne e dirige o programa de TV La Pupila Asombrada.

Desde 1976, quando houve a última grande reforma constitucional, crianças guardam as urnas. Nesta eleição, 420 mil pessoas, entre crianças, estudantes, colaboradores e autoridades eleitorais cuidaram de todo o processo.

Em entrevista à Fórum, Sánchez explicou que o processo de construção da nova constituição se deu de forma democrática, envolvendo toda a população. “Tivemos 133 mil reuniões, onde participaram mais de nove milhões de pessoas e onde foram propostas mais de 700 mil alterações no projeto”, afirma.

Sobre o documento em si, Sánchez sustenta que ele traz uma continuidade da revolução de 1959. “As pessoas querem que Cuba continue sendo cubana, que não seja um apêndice de Miami. E essa é a renovação que estamos fazendo para que isso permaneça. Para que permaneçam os direitos e o que a revolução de Fidel e Raúl conquistou para a maioria dos cubanos. E para que sigamos sendo um país independente, com voz própria, e que não esteja recebendo ordens dos Estados Unidos.”

Entre as mudanças, Cuba terá em sua Carta Magna o reconhecimento da propriedade privada, a instituição de um primeiro-ministro, a abertura ao casamento entre homossexuais e o limite de idade de 60 anos para se ser candidato à presidência, por um período de cinco anos, com possibilidade de um segundo mandato.

“Os cubanos querem essa mudança, mas sem renunciar a saúde pública que temos, para todos, universal, que permite fazer um transplante de coração ou uma diálise gratuitamente. Que o filho de qualquer pessoa, nasça onde nasça, pense como pense, more onde more, possa estudar em uma universidade, seja em medicina, engenharia, pedagogia. Que isso não mude”, destaca Sánchez.

Assista à entrevista com o jornalista Iróel Sánhez, onde ele fala sobre o referendo, mas também sobre a importância de José Martí e de Fidel Castro para a história de Cuba.

 


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