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29 de Maio de 2019, 18h52

“Não vão me calar”, diz Maria Dantas, brasileira eleita deputada na Espanha

De Barcelona, a recém-eleita parlamentar fala à Fórum sobre sua trajetória, o crescimento da extrema direita e do fascismo na Europa e no mundo

(Foto: Divulgação)

Há 25 anos vivendo em Barcelona, e no ano em que completou 50 anos, a sergipana Maria Dantas foi eleita deputada na Espanha pelo partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). É a primeira represente brasileira a ocupar um cargo no Parlamento Espanhol.

Advogada, Maria conta que saiu do Brasil numa época em que o país era muito difícil para “uma pessoa pobre”. Ela vendeu um fiat uno velho e embarcou para Barcelona em busca de fazer uma pós-graduação. Essa realidade do final dos anos 1990, como lembra ela, parece estar de volta.

Chegando em Barcelona, começou a se envolver com movimentos sociais. “Sempre digo que aqui em Barcelona, você tropeça e encontra um coletivo, uma plataforma de reivindicação social.” Com uma inquietação por justiça social, Maria Dantas não parou de lutar.

Na entrevista à Fórum, Maria falou sobre sua militância, as eleições na Espanha e do Parlamento Europeu, no último domingo (26), o crescimento da extrema direita no mundo e o governo Bolsonaro.

“Existem eixos muito comuns da extrema direita no mundo inteiro, mas é muito importante a gente diferenciar a extrema direita de fascismo, e não banalizar o fascismo”, explica. “A extrema direita na Europa utilizou muito o tema da crise econômica, da imigração. Se no Brasil utilizaram o tema anticorrupção, na Europa foi anti-imigração.”

“Na Europa, o governo Bolsonaro é visto como desastroso, de malucos. Tenho vergonha de explicar as manchetes que saem aqui”, diz, lembrando quando Bolsonaro afirmou que o nazismo foi de esquerda.

De acordo com a brasileira, há um “cheiro dos anos 1930” na Europa hoje. “O racismo institucional é uma das pragas que vivemos na Europa a cada dia”, conta. Para Maria, “ninguém é ilegal, as pessoas podem estar administrativamente irregulares. Estar aqui de forma irregular não é um delito penal.”

Maria falou ainda sobre o dia da posse no Parlamento (21/5), quando foi xingada pela extrema direita que não queria deixar representantes do ERC e outros partidos de esquerda falarem. “Mas não vão me calar. Estou lá dentro pra colocar pedra no sapato deles”, promete.

Assista à entrevista


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