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25 de maio de 2020, 18h16

Navio iraniano atraca em porto na Venezuela após tensão com EUA  

Irã foi o único país do mundo a aceitar vender gasolina para o país bolivariano, que enfrenta escassez causada após bloqueio norte-americano

Primeiro navio do Irã a atracar na Venezuela (Foto: Fania Rodrigues)

Por Fania Rodrigues, de Caracas | Venezuela

Depois de dois meses de escassez generalizada de gasolina na Venezuela, o país vai receber cinco navios petroleiros do Irã, com capacidade de 1,5 milhão de barris de combustível. Isso seria suficiente para abastecer o país por aproximadamente 50 dias. O Irã foi o único país do mundo a aceitar vender gasolina para a Venezuela depois que os Estados Unidos bloquearam as refinarias venezuelanas em território norte-americano.

O primeiro navio iraniano chamado Fortune entrou em águas venezuelanas no sábado e atracou no porto da refinaria El Palito, no estado Carabobo, nesta segunda-feira (25). Essa refinaria foi reativada recentemente depois de ficar meses paralisada devido à falta de peças e equipamentos que não podiam ser importados devido ao bloqueio internacional contra a Venezuela.

Outros cinco navios estão a caminho do país bolivariano e o nível de tensão é alto nas águas internacionais do Mar Caribe. Segundo o presidente Nicolás Maduro, o segundo petroleiro cruza a fronteira do mar territorial venezuelano também nesta segunda.

No entanto, os Estados Unidos posicionaram uma frota militar na zona limite entre as águas internacionais e a zona econômica exclusiva da Venezuela. Sobre isso o Irã denunciou nas últimas semanas que vem sofrendo pressão do governo de Donald Trump para não realizar nenhum tipo de transação comercial com a Venezuela.

“Esperamos que os EUA não se equivoquem”, disse o presidente do Irã Hasan Rohaní. E advertiu que se militares norte-americanos tentassem impedir a passagem dos navios haveria uma resposta militar. “Se nossos petroleiros correm perigo no Caribe ou em qualquer parte do mundo por problemas com os estadunidenses, eles também terão problemas, de modo recíproco”, declarou Rohaní.

A tensão subiu na semana passada, depois que a agência de notícias Reuters, dos EUA, informou que o governo Trump estava avaliando tomar medidas militares contra os navios do Irã. O Comando Sul da Marinha norte-americana enviou quatro navios de combate para o Mar Caribe, sob a justificativa de empreender ações antinarcóticas. O fato chamou a atenção justamente porque o Departamento de Justiça dos EUA considera a gestão de Nicolás Maduro como um “narco-governo” e estabeleceu recompensa no valor de U$ 15 milhões pela captura do presidente venezuelano.

O secretário-geral da OEA criticou o envio de gasolina para abastecer o país. “O envio de navios petroleiros iranianos à Venezuela em apoio ao governo ilegítimo é um atentado contra a paz e a estabilidade regional. Um ato de provocação inaceitável da República Islâmica do Irã”, disse Luis Almagro.

A Força Armada Nacional Bolivariana considerou que a atual localização dos navios da marinha dos EUA, que estão posicionados próximos à plataforma continental da Venezuela, uma ameaça ao comércio de combustível com o Irã. Justamente por isso o ministro da Defesa venezuelano, major-general Vladimir Padrino López determinou o envio de navios e helicópteros militares para escoltarem os navios petroleiros assim que entrarem na zona exclusiva econômica da Venezuela.

“Todos os navios petroleiros, quando entrarem na nossa zona exclusiva, serão escoltados por helicópteros, barcos e aviões da Força Armada Nacional Bolivariana”, ressaltou o ministro. Assim com o navio Fortune que chega atracará em porto venezuelano nesta segunda. A reportagem da Revista Fórum está na refinaria El Palito fazendo a cobertura da chegada desse navio, que tem gerado tensão e expectativas na Venezuela e na região.


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