domingo, 27 set 2020
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Nitrato de amônia esquecido há 6 anos é principal teoria investigada sobre a explosão no Líbano

As investigações sobre as causas da explosão ocorrida em Beirute, capital do Líbano, na tarde desta quinta-feira (4), são um dos principais temas do noticiário internacional no momento, e não faltam as especulações nas redes sociais.

Porém, rumores a parte, a hipótese mais consolidada entre os investigadores responsáveis por comprovar a causa do acidente é a de que um carregamento de nitrato de amônia seria o detonador da explosão que já causou 73 mortes e mais de 4 mil casos de pessoas feridas, segundo os números mais recentes.

O general Abbas Ibrahim, diretor-geral da Inteligência Libanesa, foi um dos primeiros em afirmar à imprensa local que a teoria de que explosão foi causada por nitrato de amônia é a que tem mais força no momento.

O militar também afirmou que material químico teria sido confiscado há 6 anos, de um navio que se dirigia à África, e se manteve durante todos esses anos em um armazém no Porto de Beirute, onde ocorreu a explosão.

“Foram 2,7 mil toneladas de nitrato de amônio que explodiram e estavam a caminho da África, mas ainda precisamos comprovar o que poderia ter provocado a explosão desse material. Provavelmente, uma faísca produzida durante um processo de soldagem, na tentativa de reforçar a segurança e evitar que esse e outros materiais fossem roubados”, afirmou Ibrahim.

Por sua parte, o primeiro ministro do Líbano, Hassan Diab, afirmou que os indícios já coletados apontam a essa hipótese principal. Também assegurou que, além de comprovar a causa, os investigadores também devem determinar quem são os responsáveis pela tragédia, tenham eles feito isso de forma intencional ou inconsciente.

“Não descansarei até que a pessoa responsável pelo que aconteceu o responsabilize e imponha as penalidades mais severas porque é inaceitável que um carregamento de nitrato de amônio esteja presente há 6 anos em um armazém sem tomar medidas preventivas”, declarou Diab.

No entanto, nas redes sociais, as versões que dominam os debates apontam a outras causas, nenhuma delas amparadas por dados concretos apurados, e se referem a supostos atentados terroristas – embora não haja nenhuma imagem de que houve qualquer tipo de ataque ao local antes da explosão – ou um suposto acidente nuclear.

Esta última tese é baseada somente nos vídeos de pessoas que moram em Beirute e gravaram o momento da segunda detonação da explosão, que produziu uma nuvem em forma de cogumelo no céu, a qual muitos compararam com as imagens das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).