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29 de julho de 2020, 22h04

No Chile, mulheres indígenas grávidas são condenadas a prisão por protestar

Ao todo, nove mulheres da etnia mapuche (indígenas do sul do país) foram levadas à prisão. Duas delas estão grávidas e uma terceira tem um filho recém-nascido. Tribunal é o mesmo que deu prisão domiciliar a autor de 5 estupros, depois voltou atrás

Mulheres da etnia mapuche sendo presas no Chile (foto: agência Uno)

Nesta quarta-feira (29), o Tribunal de Justiça de Temuco (cidade no sul do Chile) decretou a prisão de nove mulheres de etnia mapuche. A justificativa pela decisão foi o fato de elas terem organizado um protesto defendendo a liberdade dos líderes da comunidade mapuche da região que estão detidos sem uma condenação definitiva e que são considerados pela comunidade indígena como presos políticos.

Entre as nove condenadas estão duas mulheres grávidas: Teresa Milacheo (cinco meses) e Noelia Bayotoro (três meses), além de Daniela Soto, que tem um bebê recém-nascido, que deverá ser levado à prisão com ela.

Os presos políticos mapuche (os mapuche jamais se referem a eles mesmos no plural) estão em greve de fome há quase duas semanas, e exigem que a Corte Suprema do Chile tome uma decisão a respeito da sua situação. Enquanto a entidade máxima do Poder Judiciário chileno não se manifesta, a decisão desta quarta acrescenta à lista de presos políticos mais dez novos casos (incluindo o bebê de uma das novas condenadas).

Outra curiosidade a respeito do caso é que a decisão foi tomada pelo mesmo tribunal (apesar de que em vara diferente) que decretou prisão domiciliar para um empresário acusado de cometer cinco estupros, semanas atrás.

Se trata do caso de o caso de Antonia Barra, uma jovem de 21 anos que se suicidou em outubro de 2019, depois de ser estuprada pelo empresário Martón Pradenas, um mês antes. O caso encorajou outras quatro vítimas do acusado, algumas das quais mantiveram segredo guardado durante quase uma década, e o promotor Miguel Rojas conseguiu que todos os casos fossem incluídos em uma única ação, visando dar mais força a uma possível condenação – já que ganharam volume e contaram com os testemunhos das demais vítimas.

Apesar desse esforço, a Justiça chilena preferiu aceitar o argumento da defesa de Pradenas, de que “Antonia Barra saiu viva da casa de Pradenas, o que indica que sua abordagem não foi violenta, e que provavelmente esse nem mesmo foi o motivo pelo qual ela se suicidou” – segundo a tese do advogado Gaspar Calderón, para dizer que seu cliente “não oferece perigo à sociedade”.

Para contestar com essa alegação, amigas de Antonia apresentaram ao tribunal dois áudios nos quais ela contou que estava em depressão pelo abuso que havia sofrido. O que, na corte, não deu muito resultado. O que mudou a situação foram os protestos realizados por coletivos feministas em todo o Chile, que fizeram a corte mudar sua decisão e decretar a prisão preventiva do empresário por 120 dias.


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