Fórum Educação
06 de dezembro de 2019, 20h21

Novo ministro da Economia da Argentina é pupilo de Joseph Stiglitz

Escolha de Martín Guzmán, pupilo do Nobel da Economia reconhecido por sua crítica ao neoliberalismo, para o Ministério da Economia, representa que Alberto Fernández resistiu às pressões do mercado financeiro na hora de formar o Gabinete

Martín Guzmán, o novo ministro da Economia da Argentina (Foto: Gentileza)

O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, anunciou nesta sexta-feira (6) a composição completa de seu gabinete. Uma das pastas que mais despertava curiosidade era da Economia, com fortes especulações de que o comandante do Ministério seria uma figura ligada aos bancos e ao mercado financeiro. Não foi o que aconteceu. Martín Guzmán, heterodoxo e seguidor do economista Joseph Stiglitz, vai cuidar do principal desafio do novo governo peronista.

A proposta de renegociação da dívida pública da Argentina apresentada pelo economista em painel da Organização das Nações Unidas (ONU) em 22 de novembro foi o que mobilizou a equipe de Fernández a se aproximar de Guzmán através de Matias Kulfas, que ocupará o Ministério da Produção. No projeto, o economista de 37 anos defende a pausa no pagamento dos credores da dívida por dois anos, a ampliação dos prazos de vencimento, o reordenamento dos juros e a renúncia à parcelas restantes do FMI. O último ponto já foi anunciado por Alberto.

Formado na Universidade de La Plata, Guzmán se destacou no exterior após concluir doutorado na Universidade Brown e atuar em conjunto com o economista Joseph Stiglitz na Universidade de Columbia. Economista-chefe do Banco Mundial entre 1997 e 2000, Stiglitz é vencedor do Prêmio Nobel de Economia e reconhecido crítico do neoliberalismo. Ao avaliar o governo Macri, em entrevista ao Página 12 em setembro, afirmou que “Macri e o FMI provocaram um desastre” e “o experimento neoliberal foi um fracasso espetacular”.

A proximidade de Guzmán com o kirchnerismo também foi fundamental para a escolha. Ele também é um dos autores dos “Nove Princípios da ONU sobre Processos de Reestruturação da Dívida Soberana”, aprovado em 2015 na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Outras pastas

Nomes relevantes na academia e na política argentina ganharam postos no gabinete. Um deles é o reitor da Universidade Metropolitana para a Educação e o Trabalho (UMET),  Nicolas Trotta, que dividirá a pasta da Educação com Adriana Puiggrós. A ativista Victoria Donda, referência na luta pela despenalização do aborto, assume o Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI).

Outro nome que chama atenção é o da advogada Elizabeth Gómez, defensora da ativista Milagro Sala, que ocupará o Minsitério da Igualdade. O presidente do San Lorenzo, Matias Lammens vai dirigir o Ministério da Cultura e dos Esportes. Lammens foi candidato ao governo da Cidade de Buenos Aires e ficou em segundo lugar.

Com informações do Página 12


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum