Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
06 de janeiro de 2020, 19h30

Número de brasileiras que abortam em Portugal cresce mais de 27%

Número total em Portugal, onde o aborto é legalizado, diminuiu quase 4%, mas subiu entre as brasileiras, que já são as mulheres estrangeiras que mais abortam no país europeu

Manifestação pela descriminalização do aborto no Rio de Janeiro (Fotos Públicas)

O número de abortos feitos por brasileiras em Portugal aumentou em mais de 27% em 2018. Apesar do aumento de procedimentos realizados por mulheres estrangeiras, o número total diminuiu em quase 4% no país.

De acordo com estatísticas da DGS (Direção-Geral da Saúde), o número de brasileiras que fizeram abortos em Portugal aumentou de 447 em 2017 para 571 em 2018, constituindo um aumento de 27,7%. Já o total de procedimentos feitos no país caiu 3,8%. Com esses números, as brasileiras passam a ser a nacionalidade estrangeira que mais aborta em Portugal, ultrapassando as nigerianas.

Como os números não distinguem moradoras de turistas, não é possível afirmar quanto desse aumento se deve a imigrantes brasileiros e quantos desses procedimentos foram realizados por mulheres que viajaram ao país para isso.

Em Portugal, o acesso ao aborto é permitido a qualquer mulher que esteja no território, desde 2007, e o procedimento é realizado de forma gratuita em hospitais públicos.

Em 2018, foram realizados 14.928 abortos no país. Desses, 14.306 foram apenas por pedido da mulher, o número mais baixo já registrado. O restante foi realizado em casos de doença do feto ou risco para a saúde da mulher.

Portugal também tem uma política rígida em relação ao tempo de gestação dentro do qual se pode realizar o procedimento: 10 semanas (2 meses e meio). Na Espanha, por exemplo, o tempo máximo é de 22 semanas (mais de 5 meses). As recomendações da OMS para aborto seguro sugerem um máximo de 12 a 14 semanas de gestação (cerca de 3 meses).

No Brasil, o procedimento é de difícil acesso e permitido apenas em caso de estupro, risco para a vida da gestante ou anencefalia do feto. Ainda assim, o Ministério da Saúde estima que sejam feitos entre 950 mil e 1,2 milhão de abortos por ano. Além disso, complicações de abortos clandestinos deram gasto de R$ 500 milhões entre 2008 e 2017.

O número de estrangeiros vivendo em Portugal aumentou nos últimos anos, atingindo os maiores números da história. Com ele, aumenta a participação de mulheres estrangeiras no número de abortos também. Em 2018, a porcentagem de abortos feitos em mulheres de outras nacionalidades foi de 20,8%. Em 2017, a proporção era de 18,2% e, em 2016, de 17,7%.

Mesmo assim, o país mantém o número abaixo da média europeia. Em 2015, a média do continente era de 203 abortos para cada 1.000 nascidos vivos. Em Portugal, o número era de 192 e, em 2018, caiu para 171,6.

Segundo Graça Fonseca, diretora da Direção-Geral da Saúde de Portugal, o segredo está no investimento em métodos contraceptivos. “Isso é que é a grande vitória: 92,6% das mulheres que realizaram uma IVG [interrupção voluntária da gravidez] escolheram um método anticoncepcional”, declarou.

Entre 2011 e 2018, o número de abortos no país diminuiu em 28% e as complicações em relação ao procedimento foram praticamente zeradas.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum