“Obrigado, Trump”: PCO agradece ao presidente americano em artigo no site do partido

Entre outras coisas, o partido defende Trump por não promover guerras e atacar o identitarismo, segundo o texto “uma política imperialista por natureza”

O Partido da Causa Operária (PCO) aproveitou esta quarta-feira (20), último dia do seu mandato, para agradecer ao presidente Norte Americano, Donald Trump. Em artigo intitulado “Obrigado, Trump”, e de maneira mais explícita do que um texto anterior, em que a Fórum deu matéria que foi muito contestada por seus militantes, o PCO afirma que “ao contrário da esquerda pequeno-burguesa, movida a emoções e sem qualquer entendimento racional da realidade, não achamos que Trump tenha sido o pior presidente da história dos EUA”.

Ao afirmar que, “como marxistas, enxergamos através do ponto de vista da classe operária, dos explorados e oprimidos do mundo todo”, o PCO enaltece Trump por não ter feito guerras:

“Trump não iniciou nenhuma guerra em seu mandato. Uma coisa é sua retórica fascista, outra é sua prática que pode ser considerada até mesmo pacifista se comparada à de seus antecessores (e à de seu sucessor, Joe Biden). Nos últimos 100 anos, Trump foi um dos poucos presidentes dos EUA a não iniciarem uma única guerra. Esse é um dos motivos pelos quais não é tolerado pelo imperialismo.”

O documento afirma ainda que “Trump combateu o identitarismo” e que, por esse motivo, “o imperialismo dirigiu seus ataques não à política geral de Trump e do governo norte-americano que, apesar de ser diferente da política geral do imperialismo, se confunde com ela em muitos aspectos. Dirigiu seus ataques à pessoa Donald Trump, sendo, nesse sentido, ataques moralistas, aproveitando-se do fato de que o presidente dos EUA é um fascista declaradamente inimigo das mulheres, dos negros, dos LGBT, dos imigrantes, dos indígenas, dos ambientalistas, etc.”

O agradecimento do PCO a Trump afirma ainda sobre o assunto que “o identitarismo é uma política imperialista por natureza. Aproveitando-se da necessidade de setores oprimidos se libertarem, a burguesia internacional promoveu uma política a fim de controlar rigidamente os movimentos das chamadas “minorias”, moldando suas reivindicações e dando o comando desses movimentos a grupos de elite pequeno-burgueses, com uma vida material e mentalidade pequeno-burguesas – sempre guiados pelos grandes capitalistas”.

Para o PCO, “o imperialismo precisa atacá-lo em pontos que não tenham o perigo de atingir o próprio coração do sistema capitalista. Essa é a lógica do identitarismo”.

O texto defende ainda o modus operandi de Trump que “fala publicamente apenas aquilo que todos os capitalistas pensam e têm restrições de dizer a todos. A diferença de Trump é que ele reconhece e expressa sua discriminação sem temor, enquanto todos os outros capitalistas escondem seu repúdio aos oprimidos. Mas a diferença é ainda mais profunda, e constitui um ponto negativo para os capitalistas: Trump fala mas não faz, enquanto eles ficam calados mas perpetram as maiores atrocidades contra todos aqueles que dizem estar defendendo”.

“Trump”, diz ainda o texto, “acabou por desnudar o imperialismo. Devido aos ataques que sofre, ele termina por revidar. Denuncia seus inimigos políticos, acusa a principal ala do imperialismo (à qual pertence o Partido Democrata e a ala tradicional do Partido Republicano) de ter destruído os EUA, de ter tirado o emprego de milhões de trabalhadores. Denuncia a fraude que é o sistema político norte-americano, uma vez que ele é prejudicado por esse sistema verdadeiramente arbitrário. Para defender seus interesses, conclama a sua base a se manifestar contra os que o atacam. Assim, alimenta a polarização política já acirrada com a crise capitalista”.

O PCO afirma ainda que Trump foi tirado do poder “pela força da fraude eleitoral, que foi resultado de uma frente ampla composta por quase todos os setores da burguesia (incluindo alguns que antes o apoiavam), por democratas e republicanos, pela esquerda e pela direita institucionais”.

Além disso, afirma que o presidente que deixa o cargo foi vítima de censura por parte do Twitter, Facebook, Instagram e Youtube: “bloquearam as contas de Trump, seguidas de outras redes sociais como Google, Tik Tok, Snapchat, Pinterest, Discord, Reddit, Twitch e Shopfy, somando mais de 120 milhões de seguidores impedidos de interagirem com seu líder. Respondendo à tamanha censura, Trump decidiu migrar para uma rede social alternativa, a Parler. Mas esta, cuja política é muito mais flexível para os usuários do que aquelas, teve vida curtíssima: ela mesma, a rede social, foi banida de toda a Internet, por ação das empresas que controlam a web. Não pode mais ser acessada”.

“Tal censura à liberdade de expressão evidenciou o quão ditatorial e antidemocrático é o sistema imperialista com relação aos direitos mais elementares do ser humano”, diz ainda o texto.

Ao final, o documento afirma que a crise aberta por Trump abre uma oportunidade para os trabalhadores, “a partir do caos social, reerguer-se da apatia em que foram jogadas por décadas de domínio stalinista, reformista e conciliador das direções operárias dos EUA e do mundo inteiro. A tendência, daqui para a frente, é do início de uma nova etapa de lutas operárias, com a possibilidade da construção de um potente movimento proletário que substitua as antigas direções burocráticas por novas e vigorosas organizações revolucionárias dos trabalhadores, que lutem pela independência de classe e pelo rompimento total e violento com a burguesia, no caminho da revolução proletária, do governo operário e do comunismo”.

Lea o texto na íntegra aqui.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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