terça-feira, 29 set 2020
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OEA e Luis Almagro ficam em vergonhoso silêncio diante do golpe violento na Bolívia

Se é verdade o que diz o ditado, de que “quem cala consente”, é possível entender a posição da Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que deveria defender a democracia e o Estado de direito em todos os países das três Américas, mas que, curiosamente, não expressou nenhuma posição oficial nas últimas 24 horas, ignorando completamente o golpe de Estado posto em marcha desde a manhã de domingo (10) na Bolívia.

A última publicação da conta oficial da OEA no twitter foi a divulgação “preliminar” (ou seja, antes de o estudo estar concluído) de um parecer sobre as eleições, que diz que o processo “poderia ter sido fraudado”, documento que está sendo usado pelos golpistas para justificar suas ações. Aliás, a publicação foi um retuíte de mensagem do seu presidente, Luis Almagro, com o documento em anexo:

Porém, não há nenhuma palavra da entidade a respeito dos ataques agressivos a opositores, incluindo incêndios a sedes de entidades indígenas (e também à casa de uma irmã de Evo Morales), além da prisão sumária de ex-membros do Tribunal Supremo Eleitoral. E isso se falamos da conta oficial da OEA em espanhol. A conta oficial em português não publica nada desde o dia 7 de novembro e a em inglês desde o dia 8.

Quem também se mantém em lamentável silêncio é o presidente do órgão, o diplomata uruguaio Luis Almagro. Sua única publicação a respeito do caso foi feita quando começou a movimentação golpista, quando fez um mero apelo protocolar: “queremos registrar e reiterar nosso apelo por soluções constitucionais, cívicas e pacíficas na Bolívia”. Também republicou a mensagem oficial da OEA com o resultado do tal “parecer preliminar”.

Porém, nenhuma palavra dele desde que as Forças Armadas obrigaram o presidente Evo Morales a renunciar e depois fez o mesmo com o vice-presidente Álvaro García Linera, a presidenta do Senado Adriana Salvatierra e muitas outras autoridades legítimas do país.

Tal silêncio vergonhoso foi cobrado pelo líder petista e ex-candidato presidencial brasileiro Fernando Haddad, que aproveitou de lembrar, através do seu twitter, que a entidade foi cúmplice do golpe de Estado, graças ao “parecer preliminar”.

“A OEA abriu caminho para o golpe na Bolívia. Podia se manifestar sobre o que acha dos últimos acontecimentos”, declarou Haddad após a derrubada de Evo Morales.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).