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03 de dezembro de 2019, 09h09

ONGs criticam estratégia do Brasil na COP-25: “Nós desmatamos, vocês pagam”

O ministro vai aproveitar a COP-25 para se desculpar ou continuar a espalhar fake news nas redes sociais com conspirações para criminalizar ONGs?

Salles e a delegação brasileira na COP-25 (Foto: Divulgação)

A Rede Internacional de Ação para o Clima (Climate Action Network International – CAN), que reúne 1300 ONGs de cem países, dedicou uma página inteira de seu jornal distribuído na COP-25 sobre o Brasil. Com o título “Nós queimamos, você paga: a nova tática de negociação do Brasil”, a publicação critica duramente a política ambiental adotada pelo atual governo de Jair Bolsonaro. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem dito em entrevistas que viajou a Madri para obter recursos para as ações que reduzam a emissão dos gases de efeito estufa que o país já faria. Ele cita o Acordo de Paris para justificar a “obrigação” dos países desenvolvidos em oferecer recursos financeiros.

Segundo a rede de ONGs, “Salles está tirando uma pausa de duas semanas de todos os problemas em casa e apreciando o bom vinho e tapas em Madri. No seu tempo livre, ele constrange os diplomatas profissionais de seu país para que atuem como negociantes. Sua tática: chantagear países mais ricos para pagar o Brasil pela queima da Floresta Amazônica”. A Reuters também publicou uma matéria onde questiona por que Salles foi o primeiro ministro a chegar à cidade, “uma semana antes para participar da conferência completa de duas semanas, sendo apenas no segundo estágio com colegas ministros de outras nações”.

Vale lembrar que em novembro de 2018, o governo brasileiro recusou receber a Conferência Internacional sobre Mudança Climática das Nações Unidas (COP-25). Na época, Bolsonaro era recém-eleito presidente após uma campanha onde criticava as ações em prol do meio ambiente, cogitando até em acabar com o Ministério do Meio Ambiente. Passados 12 meses daquela decisão, o governo brasileiro não tem o que comemorar na área. O desmatamento na Amazônia cresceu 29,5% entre agosto de 2018 e julho de 2019, de acordo com números oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em relação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018).

“Assassinatos de líderes indígenas e comunitários são cada vez mais comuns em toda a região amazônica, quando atrapalham os grileiros, fazendeiros e mineiros ilegais que estão se sentindo empoderados pelos esforços do presidente Bolsonaro e do ministro Salles em apoiar a expansão econômica insustentável na Amazônia e desmantelar o já frágil sistema regulatório”, diz a publicação.

Os quatro voluntários presos em Alter do Chão (PA) e a invasão da casa da líder indígena Alessandra Korap, do povo mundurucu, em Santarém (PA), enquanto o ministro voava para Madri, mostram qual é o tratamento do governo com a causa. Salles chegou a comemorar a prisão dos brigadistas, depois silenciou. A publicação questiona o que vai acontecer com os brigadistas, se o ministro vai aproveitar a COP-25 para se desculpar ou continuar a espalhar fake news nas redes sociais com conspirações para criminalizar ONGs.


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