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10 de novembro de 2019, 12h58

Oposição quer impedir Evo Morales de disputar nova eleição na Bolívia

Presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e líder dos violentos atos golpistas na Bolívia, Luis Fernando Camacho disse que recebeu orientações sobre o tema do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, com quem se encontrou em maio

Evo Morales - Foto: Divulgação

Na entrevista coletiva realizada na manhã deste domingo (10), o presidente boliviano Evo Morales afirmou que espera que “as novas eleições nacionais permitirão ao povo boliviano eleger democraticamente as suas novas autoridades, incorporando novos atores políticos”, deixando aberta sua participação – ou não – no novo pleito.

A declaração deu forças à mídia local para embasar a principal exigência da violenta oposição de extrema-direita no País: que Evo desista da candidatura à reeleição.

O líder da extrema-direita Waldo Albarracín, do Comitê Nacional de Defesa da Democracia (Conade) afirmou que a oferta de Evo só será aceita se ele não for candidato: “o ideal é que ele renuncie por razões éticas”.

Presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, que convocou militares para um golpe em Evo Morales, foi recebido por Ernesto Araújo, chanceler de Jari Bolsonaro, em maio para tratar do assunto. Após encontro no Itamaraty, Camacho ressalta que recebeu instruções de Araújo sobre como agir diante da Constituição boliviana, que permite reeleições sucessivas no país e que teve o compromisso “governamental” do Brasil sobre a questão.

“Conseguimos o compromisso pessoal e governamental do chanceler Ernesto Fraga Araújo de elevar como estado brasileiro e garante da cpe a encomenda de interpretação da convenção sobre a reeleição indefinida para a cidh. O Chanceler instruiu de forma imediata e na mesma reunião que se realize a consulta”, relatou o opositor, que aparece na lista do caso que ficou conhecido como Panamá Papers como intermediáro e dono de empresas offshore que seria usadas para lavagem de dinheiro de origem duvidosa, especialmente em casos de corrupção.

Lei eleitoral
A especulação sobre a possível inabilitação de Evo Morales também se baseia na lei eleitoral do país, que estabelece que se ficar comprovado que houve fraude eleitoral, o partido responsável por ela ficaria automaticamente proibido de participar do pleito seguinte.

Morales foi eleito para um quarto mandato no dia 20 de outubro, com 48%, contra 38% do opositor Carlos Mesa, que não reconheceu o resultado. A partir de então, Mesa e seu aliado Luis Fernando Camacho passaram a incitar protestos violentos em todo o país, para exigir a realização de um segundo turno – e ainda não se pronunciaram sobre sua posição a respeito do novo processo eleitoral, mas mantiveram disposição de realizar as marchas programadas para este domingo.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Itamaraty também apoiaram a campanha da direita. Porém não querem ser relacionados aos protestos violentos – que incluíram o incêndio da casa de uma irmã de Evo e uma ação de humilhação em praça pública contra uma prefeita indígena aliada do atual presidente.

Embora não se esclareça quem poderão ser os candidatos, algumas mudanças sim já foram anunciadas, como a renovação completa dos membros do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), e também dos fiscais eleitorais que atuam nas regiões.

Ainda não há uma data estabelecida, mas a imprensa local afirma que o mais provável é que seja o dia 15 de dezembro – que já havia sido marcado originalmente para o segundo turno, caso Morales não vencesse em outubro, com vantagem de mais de 10% dos votos. Este e outros procedimentos serão determinados nesta segunda-feira (11), em sessão especial da Assembleia Legislativa Plurinacional.

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