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10 de novembro de 2019, 21h37

Opositor boliviano que se reuniu com Ernesto Araújo invade palácio do governo da Bolívia com Bíblia após golpe

Fernando Camacho, líder da ala mais violenta da oposição na Bolívia, entrou no palácio presidencial com Bíblia sob o braço. "Nossa luta não é com armas, é com fé. Deus abençoe Bolívia!", publicou logo após a derrubada de Evo Morales.

Camacho (ao centro) se ajoelha com a Bíblia após invadir o Palácio do Governo na Bolívia - Foto: Reprodução/Twitter

Luis Fernando Camacho, líder das extrema-direita da Bolívia e um dos comandantes do golpe de Estado promovido contra Evo Morales, invadiu o Palácio de Governo da Bolívia pouco antes de a renúncia do presidente Evo Morales munido de uma Bíblia e uma bandeira do país. Camacho liderou a ala mais violenta das manifestações que resultaram na queda de Morales e tinha o apoio do Itamaraty, comandado pelo olavista Ernesto Araújo.

Durante o intento de derrubar o presidente reeleito, Camacho afirmou que levaria Deus novamente ao Palácio de Governo. Logo após a renúncia de Evo, ele publicou a seguinte mensagem no Twitter: “Nossa luta não é com armas, é com fé. Deus abençoe Bolívia!”.

Presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Camacho foi recebido por Ernesto Araújo, chanceler de Jair Bolsonaro, em maio para tratar sobre a Bolívia. “Conseguimos o compromisso pessoal e governamental do chanceler Ernesto Fraga Araújo de elevar como estado brasileiro e garante da cpe a encomenda de interpretação da convenção sobre a reeleição indefinida para a CIDH. O Chanceler instruiu de forma imediata e na mesma reunião que se realize a consulta”, relatou.

Os laços do Brasil com o golpismo na Bolívia ficam mais destacado com os áudios revelados pelo jornal boliviano El Periódico, onde um interlocutor revela o apoio “das igrejas evangélicas e do governo brasileiro” ao golpe, e fala de um suposto “homem de confiança de Jair Bolsonaro, que assessora um candidato presidencial”. “Temos que começar a nos organizar para falar de política nas igrejas, como já se faz a muito tempo no Brasil, que já tem deputados, prefeitos e até governadores da igreja (evangélica)”, diz.

Camacho aparece na lista do caso que ficou conhecido como Panamá Papers como intermediáro e dono de empresas offshore que seria usadas para lavagem de dinheiro de origem duvidosa, especialmente em casos de corrupção.

 

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