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10 de julho de 2019, 18h23

Parlamentar muçulmana dos EUA chama apresentador da Fox News que a atacou de “tolo racista”

Imigrante nascida na Somália e congressista eleita em novembro de 2018, Ilhan Omar forma parte do setor mais à esquerda do Partido Democrata, que é liderado por Bernie Sanders

A congressista estadunidense Ilhan Omar (Foto: Twitter)

A congressista estadunidense Ilhan Omar ironizou as ofensas recebidas em um programa do canal Fox News exibido nesta quarta-feira (10), que a citou de forma pejorativa em um programa sobre imigração. Para ela, “é divertido assistir um tolo racista chorando com a minha presença no Congresso”.

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A polêmica surgiu quando um noticiário da Fox News apresentou uma reportagem sobre os efeitos da imigração nos Estados Unidos, com um claro discurso de repúdio aos imigrantes, em sintonia com a linha editorial de extrema direita do canal.

Durante o programa, o apresentador, Tucker Carlson, chegou a afirmar que Omar (que nasceu na Somália) é fruto de “uma distorção” em sua vida, porque “veio de um dos países mais pobres direto para o mais rico do mundo, com toda a generosidade que demos a ela”, e logo afirmou que, por isso, ela teria que ser mais agradecida ao país: “Mas ela não é grata, não mesmo. Depois de tudo o que a América fez por Omar e sua família, ela odeia esse país mais do que nunca”.

Antes do encerramento do programa, o apresentador completou dizendo que “nenhum país pode importar um grande número de pessoas que o odeiam e ainda assim querem sobreviver dentro dele (…) então, seja grato a Ilhan Omar, por mais irritante que ela seja. Ela é um alarme de incêndio vivo. Um aviso para o resto de nós de que é melhor mudarmos imediatamente nosso sistema de imigração, ou então…”, e deixou a frase no ar, mas com uma clara insinuação.

A resposta de Omar veio através de uma mensagem em seu Twitter: “Não vou mentir, é meio divertido assistir a um tolo racista assim chorando com a minha presença no Congresso. Nenhuma mentira vai diminuir meu amor por este país ou minha vontade de tornar a nossa união mais perfeita. Eles só tem que se acostumar a me chamar de congressista!”.

Nascida na Somália, Omar é membro da Câmara de Representantes dos Estados Unidos (similar à Câmara dos Deputados no Brasil) desde janeiro deste ano, eleita pelo estado de Minnesota, e desde então não só atua para defender o respeito à sua religião como tem travado uma luta para poder usar sua vestimenta típica no parlamento estadunidense.

Apontada como uma das figuras ascendentes do bloco mais progressista do Partido Democrata (que é liderado pelo senador Bernie Sanders).

Ela também forma parte do que a imprensa estadunidense chama de The Squad (“o esquadrão”), um grupo de jovens mulheres congressistas da mesma linha mais progressista dos Democratas, do qual também fazem parte Alexandria Ocasio-Cortez (Nova York), Rashida Tlaib (Michigan) e Ayanna Pressley (Illinois). Todas elas têm idade entre 30 e 45 anos e são imigrantes ou filhas de imigrantes que vivem nos Estados Unidos.

Com informações do The Guardian.


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