Parlamento da Bolívia pede julgamento de Jeanine Añez por genocídio no golpe de 2019

Documento também recomenda ações penais contra 11 ministros e ex-ministros por violações a direitos constitucionais

A Assembleia Legislativa da Bolívia aprovou nesta quinta-feira (29) o relatório final da comissão especial que investigou os massacres ocorridos no país em outubro de 2019, época do golpe contra o ex-presidente Evo Morales. O documento recomenda que a ditadora Jeanine Añez, que se autoproclamou presidente do país, seja julgada por violações à Constituição e genocídio.

De acordo com o informe, Añez deve ser julgada “pelos crimes de resoluções contrárias à Constituição e às leis, violação de deveres, genocídio, homicídio, lesões graves, lesões seguidas de morte, associação criminosa, privação de liberdade e desaparecimento forçado de pessoas”.

Além disso, a Assembleia recomenda ações penais contra 11 ministros e ex-ministros de Áñez por “violação de direitos e garantias constitucionais” e que resultou “na morte de 26 pessoas e uma centena de feridos e detidos em repressões policiais e militares, após as eleições gerais de 2019”.

De acordo com o jornal Actualidad, o deputado boliviano Víctor Borda, presidente da Comissão que apurou os crimes no país, disse que o grupo “não pode assumir o papel de Ministério Público”, limitando-se a “sugerir” o julgamento de Añez. O que a Assembleia pede, segundo ele, “é que seja feita uma sentença de responsabilidade contra a presidente transitória, contra o ministro de governo, contra as Forças Armadas e alguns comandantes policiais e militares que intervieram neste massacre”, afirma.

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Luisa Fragão

Jornalista.