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10 de fevereiro de 2020, 11h55

Partido de esquerda, ligado ao IRA, surpreende e lidera eleições da Irlanda

Liderado pela deputada Mary Lou McDonald, o Sinn Féin, partido que nasceu do antigo Exército Republicano Irlandês, conquistou o voto jovem, em um país com grande crescimento econômico, mas também muitas desigualdades.

A deputada Mary Lou McDonald, líder do Sinn Féin (foto: Dublin Live)

As eleições legislativas na Irlanda, realizadas no sábado (8), estão dando o que falar na Europa. Embora a apuração ainda não tenha mostrado um resultado definitivo, no parcial, por enquanto, o partido que lidera em quantidade de votos é Sinn Féin, braço político do já desmantelado IRA (sigla em inglês do Exército Republicano Irlandês).

Liderado pela deputada Mary Lou McDonald, o Sinn Fein (esquerda) tem, até o momento, 23,94% dos votos, enquanto o Fianna Fáil (liberal) fica com 21,27%, e o Fine Gael (democrata-cristão) do atual primeiro-ministro, Leo Varadkar, contabiliza 21,08%.

Contudo, a contagem dos votos é lenta, e segundo a imprensa local, ainda pode demorar dias para se chegar a uma cifra final. A liderança do Sinn Féin até o momento é por uma margem bem pequena, que pode ser revertida, e mesmo que isso não aconteça, tampouco dá garantia que o partido poderá formar uma maioria para que McDonald seja a primeira-ministra do país.

Ainda assim, o resultado surpreende, já que o Sinn Féin nunca chegou tão longe. Em 2016, o partido obteve 13,8%, seu melhor resultado histórico (o primeiro com votação de dois dígitos), com Gerry Adams, seu líder e candidato principal em todas as eleições desde que o IRA abandonou as armas, nos Anos 90.

Esta é a primeira campanha do Sinn Fein sem Adams, já que agora o partido é liderado por Mary Lou McDonald, uma mulher cujo discurso tem capturado sobretudo o voto de uma juventude descontente com as enormes desigualdades existentes no país.

Como acontece em muitos países adeptos da cartilha neoliberal, a Irlanda é um país que se destaca por um notável crescimento econômico, e, ao mesmo tempo, convive com grandes desigualdades sociais.

Caso confirme a vitória e consiga formar maioria no parlamento, McDonald terminaria com décadas de polarização entre o Fine Gael e o Fianna Fáil na Irlanda. Para tentar essa maioria, ela precisará do apoio de ao menos quatro legendas da centro-esquerda: o Partido Verde (7,1% até o momento), o Partido Trabalhista (4,4%), o Partido Social Democrata (2,9%) e o Partido da Solidariedade (2,6%). Todos esses juntos somam cerca de 17% dos votos até agora.

Em declarações à imprensa local, os membros dos dois partidos tradicionais, embora rivais históricos, dizem que poderiam se aliar para evitar um governo do Sinn Féin, que dizem temer “por seu passado violento e suas ideias econômicas populistas”, segundo Michael Martin, líder do Fianna Fáil.

Por sua parte, McDonald declarou, depois dos primeiros resultados, que seu partido “quer um governo para o povo, diferente dos que estão no poder agora e ignoram os problemas do país”.

“Estou em conversas com outros partidos, e vamos estudar  possibilidade de um governo sem o Fine Gael e o Fianna Fáil, que seria o ideal para a Irlanda”, afirmou a líder de esquerda.


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