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16 de junho de 2020, 22h37

Partido de Evo Morales acusa ditadura boliviana de querer cassar sua candidatura presidencial

O MAS (Movimento Ao Socialismo) acusa a ditadora Jeanine Áñez de querer “se aferrar ao poder”. Candidato da legenda à presidência, Luis Arce, lidera as pesquisas com percentual que poderia elegê-lo no primeiro turno

Evo Morales e Luis Arce (Foto: reprodução Twitter)

O partido boliviano MAS-IPSP (Movimento ao Socialismo – Instrumento Político para a Soberania dos Povos) denunciou nesta terça-feira (16) que a ditadura liderada por Jeanine Áñez tenta cassar a candidatura do economista Luis Arce, seu representante nas eleições presidenciais marcadas para este ano.

No dia anterior, o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral, responsável por organizar as eleições na Bolívia), anunciou denúncia contra o partido, por suposta fraude nas eleições de outubro de 2019. A acusação é baseada em um informe da OEA (Organização dos Estados Americanos) que já foi desmentido por vários diferentes estudos internacionais, o último deles publicado há duas semanas.

Segundo o inquérito do TSE, todo o partido MAS-IPSP poderia ser proibido de participar das eleições, tanto para cargos executivos quanto para cargos legislativos, caso se decida que o partido foi responsável pela suposta fraude.

Os dirigentes do MAS acreditam que essa é a intenção das novas autoridades do país, que assumiram o poder após o golpe de Estado de 10 de novembro de 2019, quando as Forças Armadas derrubaram o presidente legítimo Evo Morales (do MAS) e impuseram Jeanine Áñez no poder.

O próprio Evo Morales expressou essa desconfiança em um tuíte publicado nesta terça. “O governo faz lobby no TSE para registrar uma denúncia de fraude inexistente, com o objetivo de proibir o MAS, enquanto o mundo inteiro tem relatórios independentes e irrefutáveis, concluindo que vencemos as eleições de 2019 de maneira limpa”.

O partido MAS-IPSP também se manifestou através de um comunicado institucional, no qual disse que “com esta nova ação, que visa proibir nossa chapa e desabilitar todos os candidatos do povo nessas eleições, a imparcialidade do TSE está em dúvida (…) pois o organismo pode estar sujeito à pressão do regime de facto, cujo objetivo é se aferrar ao poder”.

Segundo as pesquisas eleitorais mais recentes realizadas no país, o candidato presidencial do MAS-IPSP, o economista Luis Arce, lidera as intenções de voto com 37%, enquanto seus adversários mais próximos estão mais de 10 pontos percentuais atrás: o jornalista Carlos Mesa aparece com 22% e a ditadora Áñez tem 19%.

A lei eleitoral boliviana estipula que um candidato pode ser eleito no primeiro turno se tiver mais de 40% dos votos e uma vantagem de mais de 10 pontos sobre o segundo colocado. Portanto, Arce poderia alcançar esta façanha, segundo as pesquisas.

As eleições na Bolívia já foram adiadas duas vezes pela ditadura. A primeira data (23 de fevereiro) foi alterada para que a ditadora Jeanine Áñez pudesse se candidatar. A segunda (3 de maio) foi descartada por causa da pandemia do coronavírus. A terceira data, estipulada em acordo recente no Parlamento, é o dia 6 de setembro.


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