Entrevista exclusiva com Lula
29 de novembro de 2019, 14h02

Pastores angolanos acusam Igreja Universal de desvio de recursos e esterilização de funcionários

Grupo de 330 pastores e bispos angolanos anunciaram rompimento com Edir Macedo e exige que líderes brasileiros da Universal deixem o país. No início de novembro, denúncias parecidas provocaram quebra de tempos da igreja em São Tomé e Príncipe, também na África

Bolsonaro com Edir Macedo no Templo de Salomão (Foto: Alan Santos/PR)

Um grupo de 330 bispos e pastores angolanos que pertenciam à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) rompeu com a matriz, que é brasileira e comandada pelo bispo Edir Macedo, acusando de desviar recursos para o exterior, discriminar funcionários africanos e promover a esterilização de sacerdotes.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (28), reproduzido pela BBC, os religiosos exigem que líderes brasileiros da instituição deixem “o território nacional dentro dos prazos estabelecidos pelas autoridades migratórias” para que a igreja passe a ser “liderada exclusivamente por angolanos”.

O levante dos pastores angolanos contra a liderança da IURD ocorre poucas semanas após a Universal ser ameaçada de expulsão em outro país africano, São Tomé e Príncipe, onde também era acusada de privilegiar pastores brasileiros e forçar pastores locais a realizar vasectomias.

Nesta quinta-feira, houve tumulto quando os pastores revoltosos tentaram entrar no principal templo da Universal na capital angolana, Luanda, para ler o manifesto contra os líderes brasileiros. Policiais e seguranças impediram o acesso do grupo.

Segundo os religiosos, sob orientação de Macedo, os gestores da Universal no país africano decidiram “vender mais da metade do patrimônio da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola, sem prévia consulta aos bispos, pastores, obreiros e membros angolanos”.

“O referido patrimônio inclui residências e terrenos que foram adquiridos e/ou construídos com os dízimos, ofertas e doações dos bispos, pastores, obreiros e membros de Angola”, diz a nota.

O texto diz ainda que, nos últimos 12 meses, “a anterior e atual liderança brasileira, por orientação do Bispo Edir Macedo, tem forçado os pastores solteiros e casados a submeterem-se a um procedimento cirúrgico de ‘esterilização’, tecnicamente conhecido como vasectomia”.

O grupo diz que a prática constitui “clara violação dos direitos humanos, da lei e da Constituição da República de Angola”, além de ser estranha “aos costumes da nossa realidade africana e angolana”.

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