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24 de janeiro de 2020, 22h23

Peru caminha para eleição dividida e com baixa perspectiva de mudança

No domingo, os peruanos vão às urnas para eleger um novo Congresso cerca de quatro meses após a dissolução determinada pelo presidente Martin Vizcarra

Foto: Reprodução/Presidência do Peru

As eleições legislativas extraordinárias que acontecem no Peru no próximo domingo (26) não devem trazer muita mudança. Com um cenário político conturbado desde o fechamento do Congresso decretado pelo presidente Martin Vizcarra para frear o fujimorismo, o eleitorado peruano parece estar indeciso, despolitizado e fragmentado.

Informe publicado pelo Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica (CELAG) na quinta-feira (23) aponta um panorama complexo para a esquerda e favorável aos partidos mais tradicionais. Pesquisas eleitorais apontam que votos brancos e nulos podem chegar a mais de 40%.

Segundo os pesquisadores Sebastián Furlong, Yair Cybel e Sergio Pascual, autores da análise, “a campanha eleitoral está acontecendo em termos muito atravancados e com altíssima dispersão”. As principais causas seriam a ausência de figuras “nacionais”, já que pela primeira vez a campanha legislativa é separada da campanha presidencial, e a própria disputa interna nos partidos sobre quem vai ter espaço nas entrevistas e nos debates televisivos.

Outro fato que pulveriza ainda mais o conhecimento do eleitor sobre os candidatos está no fato da eleição garantir apenas um mandato tampão de 16 meses, sem possibilidade de reeleição.

A perspectiva apresentada pelo jornalista Martin Hidalgo Bustamante, do tradicional jornal El Commercio, é um pouco diferente. Em artigo publicado há exatos onze dias, Hidalgo falou sobre a possibilidade de conformação de uma “aliança” na próxima legislatura entre partidos mais “novos” de centro, centro-direita e esquerda. O tradicional Ação Popular (AP), o estreante Partido Roxo – que aparece bem nas pesquisas -, além da Frente Ampla e do Juntos Pelo Peru, da esquerda, podem se unir caso consigam passar da “vala”, que exige 5% dos votos para um partido ingressar na Câmara.

Em pesquisa divulgada pela Ipsos, os dois expoentes de esquerdam correm o risco de não passar a barreira dos 5%, enquanto os roxos – que usam o nome por ser uma mistura do vermelho da esquerda com o azul da direita – chegam a 10,9%. Apenas 0,1 ponto percentual atrás da Força Popular, de Keiko Fujimori. A AP surge em primeiro com 14,8%.

Outras legendas tradicionais como Aliança para o Progresso e Somos Peru também aparecem com uma margem distante da “vala”. O Partido Aprista Peruano, histórico partido de centro-esquerda que se aliou com o fujimorismo contra Vizcarra na última legislatura, corre risco de não conseguir garantir suas cadeiras.


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