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12 de novembro de 2019, 23h33

Piñera não consegue apoio para Estado de Exceção e pode cair em breve

Mensagem do presidente chileno em rede nacional mudou de horário duas vezes e terminou ficando em anúncios vazios: convocou policiais reformados para fortalecer a segurança e processos contra supostos causadores de distúrbios. Deixou uma imagem de completo isolamento político

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Do Chile, especial para a Fórum

O anúncio em rede nacional prometido pelo presidente Sebastián Piñera terminou em um grande vexame político, que tornou ainda mais questionável a sua capacidade de se manter no poder.

Em sua mensagem, realizada após mudar duas vezes o horário da transmissão, o mandatário chileno anunciou que reforçará a segurança nacional, convocando policiais reformados (ou seja, aposentados), e iniciando processos contra responsáveis por atos de distúrbio e vandalismo acionando a Lei de Segurança Nacional, mas sem apresentar nomes dos supostos denunciados.

Além disso, voltou a falar dos seus projetos de renda universal (com valor pouco acima do salário mínimo) e reforma constitucional (mas sem assembleia constituinte), ambos rejeitados pelos movimentos sociais, nos dois últimos grandes protestos: o desta terça-feira (12) e o da sexta-feira passada (8), ambos com mais de um milhão de pessoas nas ruas.

Adiamentos e isolamento

Após esta terça-feira (12) de greve geral, na qual os chilenos colocaram milhões de pessoas nas ruas, em manifestações na capital Santiago e todas as capitais regionais e cidades importantes do país, além de fechar todos os portos, aeroportos e aduanas, Piñera anunciou uma transmissão em rede nacional, que, inicialmente, estava marcada para as 21h, e que foi agendada minutos após a chegada ao Palácio de La Moneda (sede do Executivo) do ministro da Defesa, Alberto Espina, e os principais comandantes militares.

Tal situação levou a fortes rumores de que ele instalaria novamente um Estado de Exceção, como fez no dia 20 de outubro (na ocasião, a medida durou sete dias). Porém, não houve nenhum anúncio às 21h e, diante da apreensão dos jornalistas, somente às 21h40 chegou a informação de que o anúncio seria às 22h. Outro erro, porque tampouco ocorreu nesse horário.

Somente às 22h37, Piñera apareceu para fazer um anúncio que não foi o que se esperava. Muitos analistas da imprensa local comentaram, durante os minutos de espera, que a demora evidenciava que o presidente não contava com apoio parlamentar para decretar o Estado de Exceção, provavelmente por que os partidos de centro (especialmente da Democracia Cristã, que apoiou a medida em outubro) não estavam ao seu lado desta vez.

Vale recordar que, durante o final desta mesma tarde, todos os deputados da oposição entregaram uma carta exigindo de Piñera um chamado a uma assembleia constituinte. No dia anterior, dois senadores opositores pediram que ele renunciasse e convocasse novas eleições, junto com um plebiscito constituinte.

O resultado do anúncio desta noite foi um dos maiores vexames políticos da história do país, por parte de um presidente que deixou em evidência que está encurralado.


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