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09 de junho de 2020, 15h25

Presa política da ditadura boliviana, ex-advogada de Evo Morales perde o bebê na cadeia

Patricia Hermosa, que denunciou chantagem do Ministério Público em troca de liberdade, teve sangramentos por dez dias em março e apenas recebeu a visita de médico em maio

A advogada Patricia Hermosa (Foto: El Deber)

Documentos revelados nesta terça-feira (9) mostram que a advogada Patricia Hermosa, presa de forma ilegal desde o dia 31 de janeiro, perdeu o bebê na cadeia e não teve direito nem mesmo à assistência médica devida.

Ex-chefe de gabinete do governo Morales, Hermosa foi escolhida pelo ex-presidente – derrubado pelo Golpe de Estado que alçou Jeanine Añéz ao poder – como sua representante legal para formalizar a inscrição da candidatura do ex-líder sindical ao Senado. Em razão disso, foi detida e teve computadores e documentos apreendidos.

Segundo informações de Horacio Martinez, do portal Sin Mordaza Digital, Hermosa teve sangramentos por cerca de dez dias no mês de março. Ela foi atendida por um médico apenas no dia 1º de maio, que deu o diagnóstico de perda da gravidez. O especialista ainda recomendou acompanhamento especial, que não ocorreu.

Confira o documento assinado por José Ignacio Quisbert, do Centro de Orientação Penitenciária de Obrajes:

Reprodução/Sin Mordaza Digital

Representantes do Movimento Ao Socialismo (MAS) – partido de Hermosa e Morales – disseram à rede TeleSUR que a perda da gestação pode estar relacionada à falta de cuidados neonatais por parte da Penitenciária. A gravidez foi atestada no dia 7 de fevereiro, conforme aponta o relatório de Quisbert.

Em entrevista dado ao meio argentino Marcha em 18 de março – antes de receber o diagnóstico -, Hermosa denunciou que representantes do Ministério Público boliviano ofereceram a ela o benefício da liberdade condicional, caso ela acusasse o ex-presidente Evo Morales de “terrorismo, financiamento do terrorismo e sedição”. Ela se negou.

O ex-presidente Evo Morales comentou sobre a repercussão dessa notícia e cobrou um posicionamento da Alta Comissária dos Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile.

“Patricia Hermosa está sendo vítima de assédio e violência política. Eles tiraram sua liberdade e sua vida por ter convicções. Peço à Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que se manifeste. Nenhum crime de violência contra uma mulher pode ficar impune”, escreveu.

A Comissão Jurídica de defesa dos direitos de presos, presas, perseguidas e perseguidos políticos na Bolívia também se manifestou. “As agressões aos direitos de Patricia Hermosa são irreparáveis. Exigimos sua liberdade imediata e fazemos um apelo humanitário às organizações internacionais de direitos humanos e à comunidade internacional”, tuitou o organismo.

Candidatura de Morales

Apesar da prisão de Hermosa, Morales conseguiu registrar candidatura ao Senado. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral anulou a inscrição afirmando que o ex-presidente não conseguiu comprovar residência no país. O ex-líder sindical está exilado na Argentina.


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