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24 de setembro de 2019, 18h10

Presidenta do Congresso dos EUA pede impeachment de Trump

URGENTE: "O Presidente deve ser responsabilizado. Ninguém está acima da lei", declarou Nancy em sessão no Congresso; entenda

Bolsonaro e Trump (Foto: Alan Santos/PR)

Depois de meses de especulações, o Congresso dos Estados Unidos vai iniciar um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump. O anúncio foi feito na tarde desta terça-feira (24) pela presidenta da Casa dos Representantes, Nancy Pelosi, e envolve uma ligação telefônica feita por Trump ao presidente da Ucrânia com o objetivo de atingir Joe Biden, pré-candidato à Presidência pelo Partido Democrata.

“Hoje, estou anunciando que a Câmara dos Deputados está avançando com um inquérito oficial de impeachment. O presidente deve ser responsabilizado. Ninguém está acima da lei”, declarou Nancy em sessão no Congresso.

Na ligação, feita no dia 25 de julho, Trump pedia ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, que o país investigasse os negócios de Hunter Biden, filho de Joe Biden. Após uma suposta negativa, o estadunidense suspendeu 400 milhões de dólares em ajuda miliar aos ucranianos, como forma de pressionar o governante a atender a suas ordens. Caso contrário, perderiam o suporte dos EUA no enfrentamento com a Rússia.

Hunter atuou como diretor de uma companhia de gás no país enquanto Joe Biden era vice-presidente dos Estados Unidos. Trump alega que houve atos de corrupção na relação entre EUA e Ucrânia quando Biden ocupava o posto e tem cobrado investigações. Os democratas argumentam que a conversa é desvio de finalidade, uma das motivações para um impedimento no país.

“O Congresso determinou a ajuda. O presidente a reteve porque queria pressionar uma potência estrangeira para investigar seu oponente político. O único remédio para isso é o impeachment. Ponto”, declarou a deputada democrata Pramila Jayapal, integrante do Comitê de Justiça (HJC) da casa.

O rito não está bem definido, mas alguns congressistas, como Jayapal, são contra a criação de uma comissão especial para a análise do pedido e defendem que o HJC seja responsável pela investigação. A pré-candidata à Presidência pelo Partido Democrata, Alexandria Ocasio-Cortez, concorda: “É uma emergência. Não temos tempo de nos dar ao luxo de criar outro comitê. O Judiciário investiga e reúne as provas há meses. O impeachment pertence a eles. Devemos honrar a jurisdição, o precedente histórico e o trabalho realizado para permitir que o Judiciário avance”, tuitou.

Pouco antes do anúncio, o presidente Donald Trump, que participou mais cedo da Assembleia Geral da ONU e apertou a mão de Jair Bolsonaro, declarou que disponibilizará a íntegra da conversa telefônica nesta quarta-feira. “Autorizei a liberação da transcrição completa da minha conversa telefônica com o Presidente Zelensky. Vocês verão que foi uma ligação muito amigável e totalmente apropriada”, declarou.

Questionado mais cedo sobre a possibilidade do impeachment, ele declarou que acha “ridículo e inapropriado” e crê que a motivação é a eleição deste ano. “Isso nunca aconteceu com um presidente antes. Isso é sem sentido. […] Não houve pressão”, declarou. Os EUA nunca derrubaram um presidente por meio de impeachment, apesar de Richard Nixon ter renunciado com o avançar de um processo.

Elizabeth Warren, pré-candidata democrata à presidência, defendeu a abertura do processo. “Ninguém está acima da lei – nem mesmo o presidente dos Estados Unidos. O Congresso tem autoridade constitucional e responsabilidade de responsabilizar o presidente. Isso não é sobre política, é sobre princípio. Temos de iniciar um processo de impeachment”, tuitou.

 


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