segunda-feira, 21 set 2020
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Pressionada, OEA reconhece que ainda não produziu versão final de informe usado no golpe da Bolívia

O informe da Organização dos Estados Americanos (OEA) com os resultados da auditoria realizada sobre o processo eleitoral na Bolívia ainda não está pronto, segundo reconhece a própria entidade, em resposta emitida nesta terça-feira (26).

Por que isso é importante? Porque esse informe – na verdade, uma versão preliminar dele, publicada naquele mesmo dia 10 de novembro – foi utilizada pelos setores da ultradireita e pelas Forças Armadas para justificar o golpe de Estado contra Evo Morales e as ameaças a figuras políticas do Movimento ao Socialismo (MAS).

O pedido para revisão do informe da OEA foi feito pelo acadêmico espanhol Alfredo Serrano Mancilla, através do Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (CELAG), que enviou uma carta à entidade pan-americana solicitando o acesso ao documento e também informações sobre os integrantes que realizaram a auditoria.

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Segundo Mancilla, “depois de algumas respostas vazias, nos enviaram uma mensagem onde reconhecem que, em 25 de novembro (36 dias depois das eleições), ainda não têm o informe definitivo”.

No Twitter, Mancilla publica a carta de resposta da OEA, assinada por Gerardo de Icaza, que seria o diretor do Departamento de Cooperação e Observação Eleitoral da OEA.

A eleição presidencial na Bolívia aconteceu no dia 20 de outubro, e foi vencida por Evo Morales, que obteve 48% dos votos, contra 38% do segundo colocado, Carlos Mesa. Pela lei boliviana, um candidato é eleito no primeiro turno se obtém mais de 40% dos votos e uma vantagem de mais de 10% sobre o seu adversário mais próximo.

Desde o minuto seguinte, a oposição alegou fraude eleitoral, mas sem apresentar provas, e contou com a ajuda da OEA para fortalecer esse discurso, embora a entidade tampouco tenha apresentado as tais evidências. Espera-se que elas estejam contidas no informe que a CELAG pede para ter acesso, mas até agora ele não está disponível para a opinião pública.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).