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28 de agosto de 2019, 18h47

Protestos denunciam golpe no Reino Unido e UE condena “sinistro” fechamento do Parlamento

Mobilizações foram maiores do que o esperado; deputados prometem confronto para manter o Parlamento britânico aberto

Foto: Another Europe is Posible

A medida tomada pelo primeiro-ministro Boris Johnsonaprovada pela Rainha Elizabeth, de fechar o Parlamento do Reino Unido até a data do Brexit gerou uma forte reação popular nesta quarta-feira (28) contra a manobra, considerada um golpe. O representante da União Europeia nas negociações do Brexit condenou a atitude e a classificou como “sinistra”.

Segundo a imprensa britânica, diversas cidades do Reino Unido registraram manifestações na tarde desta quarta-feira após a Rainha Elizabeth autorizar o fechamento do Parlamento por parte do primeiro-ministro Boris Johnson até o dia 14 de outubro, o que permite a Johnson decidir sozinho a respeito dos termos da permanência ou não da Inglaterra na União Europeia – com ou sem acordo.

Em Londres houve uma grande mobilização na região de Westminster, onde se encontram a sede do Parlamento e o Palácio de Buckinham, da Família Real. Manifestantes pediram o fim do “golpe” e a renúncia do primeiro-ministro. Edimburgo, Cardiff, Manchester, Bristol, Cambridge e Durham também registraram manifestações.

Michael Chessum, coordenador do movimento “Outra Europa é Possível”, considerou que os protestos foram maiores do que o esperado. “Os protestos de hoje foram enormes e superaram todas as expectativas. Tivemos milhares com apenas quatro horas de convocação. Nós não podemos esperar um processo no Judiciário ou no Parlamento para salvar a democracia – precisamos de um movimento de protesto em massa e desobediência civil”, disse ao Guardian

A deputada Diane Abbott, do Partido Trabalhista, denunciou ainda o apoio do presidente Donald Trump, dos EUA, ao golpe de Boris Johnson.

Parlamentares britânicos de diferentes partidos, incluindo membros insatisfeitos do Partido Conservador, de Johnson, formaram uma aliança para tentar derrubar a suspensão do poder Legislativo. Eles pretendem acionar ainda a Justiça da Escócia para barrar a decisão.

“Sinistro”

A União Europeia assistiu com preocupação à manobra de Boris Johnson. Guy Verhofstadt, coordenador do Parlamento Europeu nas negociações do Brexit, classificou a medida como “sinistra”. “Tomar o controle nunca pareceu tão sinistro. Como parlamentar, minha solidariedade com aqueles que lutam para terem suas vozes ouvidas. Suprimir o debate não ajuda a proporcionar um bom relacionamento entre a UE e o Reino Unido”, disse.

Confira um vídeo das mobilizações de Westminster:

 


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