Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
13 de agosto de 2019, 17h31

Reação de Macri assusta mais investidores do que possível retorno de Cristina Kirchner, diz artigo do Financial Times

"O presidente argentino, Mauricio Macri, perdeu o contato com a realidade e isso pode ter assustado aos mercados mais do que a perspectiva de retorno de Cristina Fernández de Kirchner", diz trecho do artigo de Hector R. Torres, ex-diretor da Argentina no FMI

Foto: Prensa Presidencia

Um artigo publicado pelo ex-diretor executivo da Argentina no Fundo Monetário Internacional (FMI), Hector R. Torres, no jornal britânico Financial Times, destaca que o presidente argentino Maurício Macri “perdeu o contato com a realidade” e que o que ele pode fazer daqui para frente pode ser mais alarmante para os mercados do que uma vitória eleitoral do kirchnerismo com Alberto Fernández e Cristina Kirchner.

Torres pontua que a reação negativa nos indicadores financeiros, apontada como reflexo direto da ampla vantagem obtida pela oposição nas eleições prévias, pode também ter a ver com a reação de Macri, que se irritou com o resultado e pode agora tentar manobrar a política econômica para tentar se aproximar de uma reeleição.

“O presidente argentino, Mauricio Macri, perdeu o contato com a realidade e isso pode ter assustado aos mercados mais do que a perspectiva de retorno de Cristina Fernández de Kirchner. Após a conferência de imprensa de Macri, o Bonar 24, um dos títulos de dívida pública mais líquidos da Argentina, caiu para 51 centavos”, diz o economista.

Segundo Torrer, o que Macri pode fazer é o que mais preocupa. O atual presidente recebeu um enorme montante do FMI e se comprometeu a fazer reformas estruturais, mas apenas vê a recessão que passa a Argentina aumentando, o desemprego crescendo e a pobreza disparando.

“Os mercados também estão preocupados com o que o Sr. Macri pode fazer agora para tentar melhorar suas – quase insignificantes – chances de ser reeleito. Se ele acredita que estabilizar a taxa de câmbio poderia ajudá-lo a recuperar o apoio da classe média, ele poderia usar esses dólares do FMI para sustentar o peso. Isso seria desastroso. O FMI certamente interromperia o fluxo de financiamento, forçando a inadimplência da dívida pública”, diz outro trecho do artigo.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum