Saiba quem é Steve Bannon e entenda sua ligação com o clã Bolsonaro

Preso por lavagem de dinheiro e fraude em campanhas online, o estrategista de Trump é líder de um movimento internacional de extrema direita que tem Eduardo Bolsonaro como embaixador

Preso na manhã desta quinta-feira (20) por lavagem de dinheiro e fraude em campanhas online, o estrategista-chefe de Donald Trump na Casa Branca, Steve Bannon, possui relações próximas com o clã Bolsonaro, especialmente com o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Ex-executivo do banco de investimentos JP Morgan e diretor-executivo do site político de extrema-direita Breitbart News, que difunde textos racistas, misóginos e xenofóbicos, Bannon foi estrategista político na Casa Branca durante sete meses, até 18 de agosto de 2017, quando foi demitido.

Depois de deixar Washington, ele participou de várias campanhas e ajudou diversos movimentos políticos europeus de direita. Um dos resultados de sua militância extremista foram os protestos supremacistas brancos na cidade de Charlottesville, em que fascistas e neonazistas desfilaram carregando rifles, suásticas e bandeiras contra minorias.

Em 2018, meses antes das eleições presidenciais no Brasil, Eduardo Bolsonaro anunciou em entrevista que Bannon daria palpites na campanha do pai. “O suporte é dica de internet, de repente uma análise, interpretar dados, essas coisas”, declarou o parlamentar, em entrevista à revista Época.

“O mesmo tratamento que tem o Trump lá é o que se dispensa ao Bolsonaro aqui. Todos esses rótulos e tudo mais. É praticamente a mesma coisa. Os dois brigam contra o establishment”, completou.

Em fevereiro de 2019, Eduardo voltou a comentar sobre a parceria com Bannon nas redes sociais. Na época, ele informou que foi convidado para ser líder pela América Latina da aliança internacional de ultradireita “O Movimento“, fundada pelo estrategista de Trump.

“Satisfação em ser o líder do The Movement para América Latina ao lado de Steve Bannon”, tuitou Eduardo, sobre a imagem de uma foto ao lado de Bannon com um texto dizendo que vai trabalhar para “recuperar a soberania surrupiada pelas forças elitistas globalistas progressistas e expandir o nacionalismo para todos os cidadãos da América Latina”.

Desde então, Eduardo ocasionalmente publica fotos ao lado do guru da extrema direita em jantares, reuniões e eventos. Em fevereiro deste ano, por exemplo, o deputado representou a extrema-direita brasileira na CPAC (sigla em inglês da Conferência da Ação Política Conservadora), em Fort Washington, nos Estados Unidos. O evento também contou com participação de Bannon.

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Itamaraty

O responsável pela aproximação do clã Bolsonaro e Steve Bannon foi o executivo do mercado financeiro Gerald Brant, diretor de uma empresa de investimentos em Wall Street. Ele chegou a ser cotado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir um cargo relevante no Ministério das Relações Exteriores.

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Ele foi sondado para atuar como uma espécie de “conselheiro” do Itamaraty, como assessor especial e ligado diretamente ao gabinete do chanceler Ernesto Araújo, de acordo com o jornal Valor Econômico. O executivo afirmou ainda que estaria disposto a somar como “soldado”, mas que ainda não teria batido o martelo na sua vinda para o governo brasileiro.

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Luisa Fragão

Jornalista.

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