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22 de outubro de 2019, 23h02

Segundo turno na Bolívia ainda pode vir a acontecer

Com 95,75% das atas apuradas, a vantagem de Evo Morales sobre o opositor Carlos Mesa é de apenas 9,21 pontos percentuais; analises dão conta, no entanto, que ainda há chances do atual presidente liquidar a eleição no primeiro turno

Garcia Linera e Evo Morales | Reprodução/Twitter

Apesar dos resultados provisórios divulgados nesta segunda-feira (22) indicarem a tendência de que não haveria segundo turno na Bolívia, a contagem oficial do Órgão Eleitoral Plurinacional (OEP) apontou que Evo Morales ainda pode ter que enfrentar o liberal Carlos Mesa em uma disputa direta. Com 95,75% apurado, o atual presidente não conseguiu, até o momento, atingir a diferença de 10 pontos percentuais para Mesa.

Segundo dados do OEP divulgados com 95,75% das atas contabilizadas, Morales recebeu 46,36% dos votos, enquanto Mesa teve 37,15% do apoio popular – uma diferença de 9,21 pontos percentuais, insuficiente para uma vitória direta. Em terceiro lugar, com 8,82% dos votos, ficou o pastor evangélico sul-coreano Chi Hyun Chung, comparado com o presidente Jair Bolsonaro.

Fórum acompanhou o processo de apuração através do site fornecido pelo tribunal e constatou que a distância entre os dois candidatos foi se ampliando lentamente, demonstrando que ainda pode superar os 10 pontos percentuais de diferença. Alguns dos dados observados: com 92,97%, a diferença era de 8,1 pp (45,87% x 37,68%), com 94,33%, era de 8,73 pp. (46,13% x 37,4%), com 94.93% era 8,96 pp. (46,24% x 37,28%).

As últimas províncias a encerrar o cômputo são La Paz (maior colégio eleitoral do país), Chuquisaca, Potosí e Beni. Evo perde apenas em Chuquisaca, mas teve uma vantagem bastante apertada em Beni.

Desconfiança da OEA

Em meio às ameaças de não reconhecimento por parte da oposição e das “suspeitas” levantadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA), o chanceler Diego Pary convidou a organização para realizar uma ampla auditoria do processo eleitoral, ata por ata. Luis Almagro, secretário-geral do organismo, disse que apenas aceitaria em caso do parecer ser “vinculante”.

A desconfiança pregada pela oposição gerou a renúncia do vice-presidente do órgão, que criticou a decisão de suspender a divulgação dos dados provisórios entre 83% e 95%. Ele disse que isso criou um clima hostil desnecessário.

O presidente Evo Morales, por sua vez, informou através das redes sociais no início da noite desta terça-feira (22) que  teve “uma reunião muito produtiva com observadores, delegações diplomáticas e a União Europeia e a OEA para ouvir e responder às suas preocupações”.

“Reiteramos o convite para que fiscalizem todo o processo de cálculo dos votos, minuto a minuto, com todas as garantias”, completou o mandatário.


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