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13 de novembro de 2019, 21h54

Símbolo da repressão: Manifestantes chilenos incendiaram centro de tortura da ditadura de Pinochet

Complexo de Tejas Verdes foi um dos primeiros centros de torturas usados pelo regime ditatorial; livro de jornalista chileno relata que o local foi frequentado por militares brasileiros que foram ensinar técnicas de tortura a colegas

Foto: Reprodução Twitter

Do Chile, especial para a Fórum

Durante a jornada de greve geral que mobilizou mais de um milhão de pessoas em todo o Chile, na terça (12), grupos de manifestantes invadiram a Escola de Engenheiros Militares de Tejas Verdes, na cidade de San Antonio, no litoral central do país.

Segundo a imprensa, os invasores incendiaram o local e destruíram o edifício principal, além de algumas instalações usadas para treinamento de oficiais.

Não foi um simples ato de vandalismo: Tejas Verdes é conhecido no país por ter sido usado como centro de tortura durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

O jornalista chileno Javier Rebolledo, especializado em casos de direitos humanos, é autor do livro “El Despertar de los Cuervos”, no qual relata que Tejas Verdes foi o primeiro centro repressivo da última ditadura chilena, e que já realizava torturas em 1972, antes mesmo do golpe contra Salvador Allende.

No mesmo livro, algumas das testemunhas, sobreviventes das torturas, relatam ter escutado “pessoas falando português e um oficial que usava uma camiseta comemorativa do título brasileiro na Copa de 1970”. Esses mesmos relatos reforçam a tese do autor de que os militares chilenos receberam instruções sobre técnicas de tortura por colegas enviados pelo Exército brasileiro, em uma coordenação realizada a partir da chamada Operação Condor – aliança entre forças militares de países da América Latina para promover ditaduras alinhadas com os Estados Unidos.

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