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10 de janeiro de 2020, 10h44

Subserviente aos EUA, Bolsonaro leva Brasil a uma guerra que não é nossa, dizem Lula e Celso Amorim no The Guardian

"Há uma guerra urgente que deve ser travada por todas as nações: a guerra contra a fome. O que é gasto em um único dia de guerra aliviaria o sofrimento de milhões de crianças famintas no mundo", escrevem Lula e Amorim no jornal britânico

Celso Amorim, Lula, Mahmoud Ahmadinejad e Recep Erdoğan, após a assinatura da Declaração de Teerã, em maio de 2010 (Foto: Memorial da Democracia)

Em artigo publicado nesta sexta-feira (10) no jornal britânico The Guardian, o ex-presidente Lula e seu ex-ministro de Relações Internacionais, Celso Amorim, afirmam a que a subserviência de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos está levando o Brasil a apoiar uma guerra que não é nossa.

“Como ele ignora os danos humanitários causados ​​pela guerra, Bolsonaro deve levar em consideração as relações comerciais entre o Brasil e o Irã, com as quais temos um excedente de mais de US $ 2 bilhões por ano. Acima de tudo, ele deve se preocupar com a segurança do nosso país e do nosso povo, que estão sendo pressionados a apoiar uma guerra que não é deles”, diz o texto.

No artigo, Lula e Amorim ainda relatam a participação do Brasil na promoção da paz entre EUA e Irã, com o chamado Acordo de Teerã, e lamentam profundamente o endosso de Bolsonaro à guerra de Donald Trump.

“É profundamente lamentável que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, impulsionado por uma ideologia agressiva de extrema direita e uma vergonhosa subserviência ao atual presidente dos EUA, adote uma postura contrária à constituição brasileira e às tradições de nossa diplomacia, endossando o ato da guerra de Trump , apenas no início do ano em que ele concorrerá à reeleição”.

No artigo, os dois líderes brasileiros dizem que sempre serão “defensores inflexíveis da paz”. “Há uma guerra urgente que deve ser travada por todas as nações: a guerra contra a fome, que ameaça um em cada nove habitantes deste planeta. O que é gasto em um único dia de guerra aliviaria o sofrimento de milhões de crianças famintas no mundo. É impossível não ficar indignado com isso”, diz o texto.

Lula e Amorim ainda pontuam que “alguns sempre lucram com a guerra” – como “os fabricantes de armas, os governos interessados ​​em saquear as riquezas – especialmente o petróleo – de outros estados, as megaempresas contratadas para reconstruir o que foi destruído pela loucura e ganância dos senhores da guerra” – e outros sempre perdem.

“Alguns sempre perdem: populações civis, mulheres, crianças, idosos e, sobretudo, os mais pobres, condenados à morte, fome, falta de moradia e emigração forçada para terras desconhecidas, onde enfrentarão miséria, xenofobia, humilhação e ódio”, diz o texto, que é finalizado com um apelo ao respeito e à paz no mundo.

“Neste momento crítico para a humanidade, o Brasil deve demonstrar mais uma vez o que realmente é: um país soberano, defensor da paz e da cooperação entre os povos, admirado e respeitado no mundo”.

Leia o artigo na íntegra (em inglês)

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