The Guardian diz que Brasil vive “calamidade” em mortes de grávidas por Covid-19

Número de óbitos dobrou em 2021 em relação à média semanal de 2020. Ministério da Saúde incluiu gestantes no grupo prioritário de vacinação

O jornal britânico The Guardian publicou uma reportagem, nesta segunda-feira (3), que chama atenção para o aumento no número de mortes de grávidas e puérperas por Covid-19 no Brasil. A reportagem destaca no título que o país vive uma “calamidade” de mortes maternas.

Pelo menos 803 mulheres grávidas e puérperas morreram da doença desde o início da pandemia. Mais da metade dessas mortes, 432, aconteceram este ano. Os dados são do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19).

A reportagem de Flávia Milhorance destaca que a preocupação com o risco que a Covid-19 representa para mulheres grávidas e puérperas está presente em todo o mundo, incluindo no Reino Unido, onde médicos relataram um aumento de internações dessas mulheres em leitos de UTI durante a segunda onda.

“Mas especialistas e ativistas dizem que a situação no Brasil é particularmente alarmante, com as autoridades recentemente pedindo às mulheres que adiem o parto até que o surto no país perca força”, diz o texto.

Entre as justificativas apresentadas por especialistas para o aumento no número de mulheres grávidas que adoecem gravemente e perdem a vida para a Covid-19 no Brasil, está o colapso no sistema de saúde no país – o que aprofundou taxas históricas.

“O acesso inadequado ao pré-natal e ao planejamento familiar são desafios de longa data do sistema de saúde pública do Brasil, com o país sofrendo taxas de mortes maternas mais de três vezes a média dos países da OCDE, mesmo antes da pandemia”, diz o texto.

No último dia 27, o Ministério da Saúde anunciou que as grávidas e puérperas seriam incluídas no grupo prioritário para receber a vacina contra a Covid-19. Apesar da mudança, em um primeiro momento, devem ser vacinadas apenas as grávidas com doenças pré-existentes. 

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Luisa Fragão

Jornalista.