O que o brasileiro pensa?
04 de junho de 2020, 06h32

Trump ordenou “cala boca” à cúpula militar e ex-ministro da Defesa diz que falta “liderança madura”

O silêncio, no entanto, foi rompido pelo primeiro-sargento da Força Aérea, Kaleth Wright. "Eu sou George Floyd…Sou Philando Castile, sou Michael Brown, sou Alton Sterling, sou Tamir Rice", escreveu no Twitter, citando outros negros mortos pela polícia

Donald Trump, por meio de altos funcionários do Departamento da Defesa, ordenaram aos chefes das Forças Armadas que ficassem em silêncio sobre o assassinato de George Floyd por um policial branco em Minneapolis. As informações são do Washington Post.

O silêncio, no entanto, foi rompido na última segunda-feira (4) pelo primeiro-sargento da Força Aérea, Kaleth Wright, que teve uma declaração publicada no Twitter viralizada nas redes.

“Eu sou George Floyd…Sou Philando Castile, sou Michael Brown, sou Alton Sterling, sou Tamir Rice”, escreveu Wright, citando outros americanos negros mortos pela polícia. “Assim como a maioria dos pilotos negros e tantos outros em nossas categorias… estou indignado ao ver outro negro morrer na televisão diante de nossos olhos”.

Nesta terça-feira (2), Jim Mattis, ex-secretário de Defesa de Donald Trump, que renunciou por discordar da retirada das tropas americanas da Síria, acusou o presidente de tentar “dividir” o país.

“Em toda minha vida, Donald Trump foi o primeiro presidente que não tenta unir os americanos, que não pretende sequer tentar”, disse ele, ressaltando a imaturidade do presidente estadunidense. “Somos testemunhas das consequências de três anos sem uma liderança madura”, disse Mattis, segundo a agência AFP.

Floyd
Nesta quarta-feira (3), a promotoria dos EUA, que investiga o assassinato de George Floyd, decidiu também processar os outros três agentes presentes no momento em que Derek Chauvin asfixiou até a morte o homem.

Chauvin, que está preso, acusado de homicídio culposo, será processado também por homicídio sem premeditação, uma acusação que se soma às existentes e é punida com penas mais severas.

Os outros três policiais que estavam no local – Tou Thao, de 34 anos; J. Alexander Kueng, de 26; e Thomas Lane, de 37 – responderão a acusações por ajudar e instigar um homicídio sem premeditação.

Da esquerda para a direita, Derek Chauvin, Tou Thao (acima) e J. Alexander Kueng e Thomas Lane (abaixo) (Foto: Minnesota Department of Corrections and Hennepin County Sheriff's Office)
Da esquerda para a direita, Derek Chauvin, Tou Thao (acima) e J. Alexander Kueng e Thomas Lane (abaixo) (Foto: Minnesota Department of Corrections and Hennepin County Sheriff’s Office)

Nono dia de protestos
Nesta quarta-feira (3), os protestos pelo assassinato de Floyd chegaram ao nono dia ininterrupto. Após um início pacífico, houve aumento de tensão em Nova York com o toque de recolher. Policiais detiveram pessoas que descumpriram a determinação.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse que, apesar de alguns incidentes, os protestos da noite de terça-feira foram “esmagadoramente pacíficos” e mais tranquilos que nos dias anteriores.

Tropas de reforço enviadas para Washington DC e que começariam a deixar a capital do país já nesta quarta receberam ordens para ficar. A Secretaria de Defesa reverteu a determinação para que 200 soldados retornassem a suas bases originais.

Quincy Mason Floyd, filho de George Floyd, esteve nesta quarta no local onde seu pai morreu, em Minneapolis, e pediu por justiça. “Nenhum homem ou mulher deveria estar sem seus pais…queremos justiça pelo que está acontecendo agora mesmo”, disse.


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