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09 de setembro de 2019, 18h04

Um espectro ronda a Europa: Comunistas são os grandes vencedores de eleições regionais na Rússia

Partido comunista ampliou de forma considerável suas cadeiras no Parlamento de Moscou, enquanto partido de Vladimir Putin perdeu espaço

Reprodução/Sputnik

Em 1848, em seu Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx afirmava que “um espectro ronda a Europa. O espectro do comunismo”. 170 anos depois, passada a derrocada da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, os comunistas seguem fazendo barulho no Velho Continente e, desta vez, voltam a ter voz na Rússia, berço da primeira grande tentativa de governo comunista do mundo.

Neste domingo (8), o Partido Comunista russo foi o grande vencedor das eleições ao Parlamento de Moscou. Saltou de 5 para 13 cadeiras. Enquanto isso, o Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, sofreu um revés e perdeu um terço de suas cadeiras: foi de 38 para 26. Já o partido liberal Yabloko (Rússia Justa, opositor) conquistou três cadeiras.

As eleições deste final de semana abrangeram diferentes níveis, de regionais a municipais, e foram realizadas em 85 diferentes localidades. A taxa de participação foi de 21,77%, levemente acima da registrada em 2014.

Disputa

As eleições provocaram uma disputa entre o governo e a oposição, que protestou durante várias semanas contra a proibição de várias candidaturas de opositores. Em Moscou, 225 candidatos, de nove partidos, disputavam as vagas na assembleia legislativa (Duma) local. No entanto, 57 candidatos foram impedidos de concorrer – o que provocou as maiores manifestações populares do país desde 2012.

Diante da queda de popularidade de Putin, candidatos do Rússia Unida não se apresentaram, durante a campanha, como partido do governo – mas, sim, de uma forma mais pessoal. A tática foi em vão. Após a apuração de quase todos os votos, nove deputados do Rússia Unida não foram reeleitos, incluindo o líder moscovita Andrei Matelsky, que estava na Duma sem interrupção desde 2001. Os resultados definitivos devem ser conhecidos até esta terça-feira (10), segundo as informações oficiais.

Mas já é certo que, apesar da manutenção dos governadores ligados a Putin, o Partido Comunista apresentou expressivo crescimento nos parlamentos regionais. Parte do avanço comunista se deve a uma decisão do Yabloko – cujo principal líder, o blogueiro Alexey Navalni, convocou o “voto inteligente”, apoiando os candidatos em melhor posição para derrotar os governistas nesses pleitos. Com essa estratégia, o grupo de Navalny chegou a pedir voto para candidatos comunistas em muitos distritos, o que dividiu sua própria base.

*Com Portal Vermelho 


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