União Europeia ameaça sancionar Hungria por importar vacina russa Sputnik V

Organismo alega que as decisões como a realização de campanhas de vacinação precisam ser tomadas em acordo envolvendo todos os países do bloco

Budapeste começa a importar pequenas quantidades do medicamento nesta semana e, após a concessão da licença, aumentará suas compras e começará a produzi-lo no país.

A compra de doses da vacina russa Sputnik V por parte do governo da Hungria gerou uma resposta nada amistosa por parte da União Europeia. Nesta quinta-feira (19), um porta-voz do organismo multilateral falo em entrevista à agência Reuters e expressou que a medida húngara foi “apressurada demais, e pode gerar desconfiança nas demais vacinas potenciais”.

A Comissão Europeia, equivalente ao Poder Executivo da União Europeia, também se manifestou, afirmando em um comunicado que “os estados-membros da União Europeia só poderão usar as vacinas contra covid-19 que forem aprovadas pelo bloco. Além disso, a EMA (sigla em inglês da Agência Europeia de Medicamentos) disse que ainda é preciso autorizar o uso da Sputnik V para que ela possa ser comercializada na região”.

No entanto, o chanceler da Hungria, Peter Szijjarto, disse que seu país não mudará seu cronograma, e deverá receber os primeiros lotes da Sputnik V em dezembro. “Nosso governo fez um acordo que inclui outro lote que chegará em janeiro de 2021, e a concessão de licença para fabricação do produto a partir de fevereiro”, acrescentou o diplomata, representante do governo de extrema-direita de Viktor Orban.

Curiosamente, nesta mesma quinta-feira, o governo da Rússia solicitou oficialmente à OMS (Organização Mundial da Saúde) a certificação da vacina Sputnik V, para que possa ser usada internamente e comercializada com outros países interessados. Além da Hungria, países como Argentina, Nigéria, Bielorrússia, Cazaquistão e Romênia já se mostraram interessados no produto.

No caso do Brasil, os governos estaduais da Bahia e do Paraná mantêm negociações com o governo russo para adquirir doses da Sputnik V assim que for permitida a sua comercialização”.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).