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03 de dezembro de 2019, 10h18

Washington Post: Bolsonaro se junta à lista de líderes mundiais traídos por Donald Trump

O jornal Washington Post satirizou a "traição bastante forte" de Trump e diz que Bolsonaro se junta à lista de relacionamentos descartáveis do mandatário estadunidense

Reportagem do jornal Washington Post sobre a traição de Trump a Bolsonaro (Reprodução)

O jornal estadunidense Washington Post satirizou a “chicotada política” de Donald Trump em Jair Bolsonaro ao anunciar retaliação com tarifas sobre o aço e alumínio após acusar o governo brasileiro de adotar medidas de desvalorização do real frente ao dólar.

A reportagem de David Nakamura e Anne Gearan diz que Bolsonaro agora se junta à lista de líderes mundiais traídos por Trump. “O presidente brasileiro Jair Bolsonaro aprendeu da maneira mais difícil na segunda-feira o que muitos outros líderes descobriram antes dele: um bom relacionamento pessoal com o presidente Trump tem seus limites”, diz o texto, ressaltando que “é o tipo de chicotada política que outros líderes mundiais também sentiram”.

Os jornalistas resgatam outras falsas promessas de Trump a líderes, como o presidente sul-coreano Moon Jae-in, que apostou suas fichas políticas em uma relação estreita com presidente dos EUA nas negociações nucleares com a Coréia do Norte e agora enfrenta exigências de que Seul aumente em cinco vezes o valor dos repasses para apoiar as tropas dos EUA estacionadas na Península Coreana.

Outro exemplo é sobre o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, que cortejou Trump incansavelmente. No entanto, o Japão não foi poupado das tarifas de aço no início do mandato do estadunidense, que contradisse Abe durante ao recusar emitir uma declaração de que os testes de mísseis de curto alcance da Coréia do Norte uma seriam violação das resoluções da ONU.

Relacionamentos descartáveis
Ouvido pela reportagem, Fernando Cutz, especialista que atuou no Conselho de Segurança dos Estados Unidos, diz que Trump vê todos os relacionamentos com líderes de outros países como descartáveis.

“Eu não acho que o Brasil não havia entendido isso, mas talvez eles entendam agora. Acho que foi uma surpresa grande para o sistema político do Brasil e seu povo. Eles realmente vêem Bolsonaro como um amigo próximo do presidente. E isso revela uma traição muito forte”, diz.

Cutz ainda ironizou a declaração de Bolsonaro, que disse que, “se for preciso, ligará para Trump”, pois tem um canal aberto com o presidente estadunidense. “Se Bolsonaro é inteligente, ele já fez uma ligação para a Casa Branca. Ele disse que tem uma linha aberta. Agora é a hora de usá-lo”, afirmou o especialista.

Leia a reportagem completa no Washington Post, em inglês.

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