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22 de maio de 2019, 07h12

Globo se mantém no ataque e Míriam Leitão faz artigo duro contra Bolsonaro: “Não sabe governar”

Artigo de Miriam Leitão no jornal O Globo mostra que não foram concretizadas as especulações de um acordo da família Marinho com Bolsonaro, que recebeu nesta terça-feira (21) o principal lobista da rede, Paulo Tonet

Miriam Leitão e Bolsonaro (Reprodução)
Um dia após Jair Bolsonaro (PSL) receber o vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, Paulo Tonet, no Palácio do Planalto, a família Marinho mostra que as especulações sobre um acordo não foram concretizadas e que não haverá trégua. Na edição desta quarta-feira (22), Miriam Leitão, uma das principais porta-vozes do grupo, escreveu um duro artigo contra Bolsonaro, dizendo que o capitão repete os 28 anos que esteve no Congresso e que não sabe governar. Em meio à defesa de bandeiras do sistema Globo, especialmente àquelas ligadas à política econômica neoliberal, Miriam Leitão diz que “a direita que o defendeu,...

Um dia após Jair Bolsonaro (PSL) receber o vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, Paulo Tonet, no Palácio do Planalto, a família Marinho mostra que as especulações sobre um acordo não foram concretizadas e que não haverá trégua.

Na edição desta quarta-feira (22), Miriam Leitão, uma das principais porta-vozes do grupo, escreveu um duro artigo contra Bolsonaro, dizendo que o capitão repete os 28 anos que esteve no Congresso e que não sabe governar.

Em meio à defesa de bandeiras do sistema Globo, especialmente àquelas ligadas à política econômica neoliberal, Miriam Leitão diz que “a direita que o defendeu, e se surpreende agora com o péssimo desempenho da sua administração, demonstra, no arrependimento, a qualidade do próprio voto”, relata, defendendo que houve “opções à direita” que não colocariam o país nesta “brutal incerteza”.

“O fato é simples: o presidente Bolsonaro não sabe governar. É essa a razão da sua performance tão errática nestes quase cinco meses. Sua relação tumultuada com o Congresso não deriva de uma tentativa de mudar a prática da política, mas da sua falta de aptidão para qualquer tipo de diálogo. Não sabe ouvir, não entende os projetos, não tem interesse em estudá-los”, descreve, após lembrar no início do texto a mediocridade dos anos em que Bolsonaro atuou no Congresso.

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“Jair Bolsonaro não presidiu comissão, não relatou qualquer projeto, nunca liderou grupo algum. Ele não se interessava pelas matérias que passavam por lá, concentrando-se em questões do seu nicho. Sua preocupação era apenas a defesa dos interesses da corporação dos militares e policiais. Afora isso, ofendia colegas que considerasse de esquerda e dava declarações espetaculosas para ocupar espaço no noticiário. Com esse currículo ele chegou à Presidência”.

Miriam ressalta que Bolsonaro não entende os próprios projetos que estão sendo enviados pelo governo ao parlamento, destacando que Paulo Guedes teve que corrigir o presidente quando ele falou sobre a proposta da reforma da Previdência a alunos da escola pública. Critica a concentração de decisões em Brasília – contradizendo o jargão “Mais Brasil e menos Brasília” – e compara Bolsonaro a Hugo Chávez, líder venezuelano que causa arrepios no sistema Globo.

“Com esse sentimento confuso de oposição a tudo, o presidente e os seus convocaram uma manifestação a favor dele mesmo, Bolsonaro. Lembra o chavismo, movimento iniciado por um coronel autoritário e que governou sempre convocando manifestações a favor do seu governo e demonizando todos os que se opunham aos seus métodos e decisões. Nada mais parecido com Hugo Chávez, em seu início, do que Bolsonaro”, relata.

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