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08 de maio de 2015, 14h46

Globo transforma elogio de Mujica em delação premiada

Miguel do Rosário contesta "interpretação" de jornal sobre relato de ex-presidente: "Lula diz que teve que lidar com muitas coisas imorais, chantagens. Até aí novidade nenhuma. Um cidadão com mais de um neurônio deve supor que ser presidente da república, ainda mais no Brasil, não é exatamente dirigir um convento, sendo que até mesmo um convento deve lidar com 'coisas imorais e chantagens'. Não é 'confissão' nenhuma"

Miguel do Rosário contesta “interpretação” de jornal sobre relato de ex-presidente: “Lula diz que teve que lidar com muitas coisas imorais, chantagens. Até aí novidade nenhuma. Um cidadão com mais de um neurônio deve supor que ser presidente da república, ainda mais no Brasil, não é exatamente dirigir um convento, sendo que até mesmo um convento deve lidar com ‘coisas imorais e chantagens’. Não é ‘confissão’ nenhuma” Por Miguel do Rosário, n’O Cafezinho Trechos do novo livro sobre Mujica, escrito por dois jornalistas uruguaios, que o Globo tenta converter em factoide político contra Lula: * “Lula teve que enfrentar um...

Miguel do Rosário contesta “interpretação” de jornal sobre relato de ex-presidente: “Lula diz que teve que lidar com muitas coisas imorais, chantagens. Até aí novidade nenhuma. Um cidadão com mais de um neurônio deve supor que ser presidente da república, ainda mais no Brasil, não é exatamente dirigir um convento, sendo que até mesmo um convento deve lidar com ‘coisas imorais e chantagens’. Não é ‘confissão’ nenhuma”

Por Miguel do Rosário, n’O Cafezinho

Trechos do novo livro sobre Mujica, escrito por dois jornalistas uruguaios, que o Globo tenta converter em factoide político contra Lula:

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“Lula teve que enfrentar um dos maiores escândalos da História recente do Brasil: o mensalão, uma mensalidade paga a alguns parlamentares para que aprovassem os projetos mais importantes do Poder Executivo. Compra de votos, um dos mecanismos mais velhos da política. Até José Dirceu, um dos principais assessores de Lula, acabou sendo processado pelo caso.

‘Lula não é um corrupto como Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros’, disse-nos Mujica, ao falar do caso. Ele contou, além disso, que Lula viveu todo esse episódio com angústia e com um pouco de culpa. ‘Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens’, disse Lula, aflito, a Mujica e Astori, semanas antes de eles assumirem o governo do Uruguai. ‘Essa era a única forma de governar o Brasil’, se justificou. Os dois tinham ido visitá-lo em Brasília, e Lula sentiu a necessidade de esclarecer a situação.”

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Em primeiro lugar, os uruguaios não têm obrigação de entender um escândalo cheio de armadilhas que nem os brasileiros entendem até hoje.

Em segundo, repare que Mujica elogia Lula. Diz que não é corrupto como Collor e outros ex-presidentes brasileiros.

Lula diz que teve que lidar com muitas coisas imorais, chantagens. Até aí novidade nenhuma. Um cidadão com mais de um neurônio deve supor que ser presidente da república, ainda mais no Brasil, não é exatamente dirigir um convento, sendo que até mesmo um convento deve lidar com “coisas imorais e chantagens”.

E aí vem a frase: “Essa era a única forma de governar o Brasil”.

Ora, é evidente que a frase está relacionada à afirmação anterior, de ter que lidar com coisas imorais e chantagens.

Não é “confissão” nenhuma.

É o relato de um presidente em primeiro mandato, sendo sincero com um amigo também presidente, ambos gozando de afinidade política e ideológica.

Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

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